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Andy Burnham é o novo primeiro-ministro do Reino Unido. Confira os desafios, as promessas de descentralização e os planos para restaurar a estabilidade política do país. Foto: AARON CHOWN/AFP

Andy Burnham assume cargo de primeiro-ministro do Reino Unido

Ex-prefeito de Manchester, Andy Burnham torna-se primeiro-ministro do Reino Unido com foco regional

O ex-prefeito de Manchester, Andy Burnham, assumiu hoje o cargo de primeiroministro do Reino Unido, na vaga deixada por Keir Starmer. Ele assume três dias após ser escolhido como líder do Partido Trabalhista britânico, prometendo “devolver a esperança” ao país e ampliar os poderes das regiões.

O que aconteceu

Novo líder do Partido Trabalhista encontrou o rei Charles na manhã de hoje, pouco após Starmer entregar o seu cargo. Após a sua reunião com a realeza, ele se tornou oficialmente o 59º premiê do país.

“Sua Majestade recebeu em audiência o Exmo. Sr. Andrew Burnham, membro do Parlamento, e solicitou-lhe que formasse uma nova administração”, diz trecho da declaração do monarca. Após assumir o cargo, o novo premiê seguiu para Downing Street, sede do governo, onde fez seu primeiro discurso.

“Cuidado às pessoas estará no centro de tudo o que eu faço”, afirmou Burnham ao falar à nação. Em seu primeiro discurso, ele afirmou que vai traçar, ainda em 2026, um plano de 10 anos com projetos para o Reino Unido.

Além disso, o novo premiê também afirmou que está “totalmente consciente” de que é a sétima pessoa a assumir o cargo desde 2016. Segundo ele, um dos seus projetos é “elevar o nível” da política e ganhar a confiança do público de novo. “O Reino Unido precisa mostrar ao mundo que consegue recuperar a estabilidade de novo. Este é o nosso desafio”, disse

“Não temos sido bons o suficiente e precisamos melhorar. E vamos melhorar. Faremos deste momento um ponto de virada para a Grã-Bretanha e haverá um novo modelo político.”

Andy Burnham, novo primeiro-ministro do Reino Unido

Burnham é o terceiro premiê que assume o cargo desde que a rainha Elizabeth 2ª morreu, em 2022. Naquela ocasião, quem estava no cargo era Liz Truss, que logo entregou a sua vaga a Rishi Sunak. Sunak, hoje líder da oposição, ficou no cargo até a entrada de Starmer, em julho de 2024, após a vitória do Partido Trabalhista nas eleições.

O Partido Trabalhista ratificou a escolha de Burnham em um congresso extraordinário na última sexta. A votação encerrou a transição aberta com a renúncia de Starmer, anunciada em junho, e teve caráter protocolar, já que Burnham contava com o apoio de mais de três quartos dos parlamentares trabalhistas antes mesmo do encontro.

Burnham usou o primeiro discurso como líder da legenda para defender unidade interna e recuperar a confiança na política britânica. “Estamos unidos e colocamos a força dessa unidade a serviço das pessoas e dos territórios que esperam há tempo demais que a política lhes devolva esperança”, afirmou.

O novo premiê também homenageou Starmer, a quem substitui no comando do governo. Na fala, ele reforçou a promessa de mudança ao dizer: “É exatamente isso que vamos fazer. Vamos devolver a esperança.”

Starmer entregou o cargo hoje

“Meu trabalho está feito”, disse o ex-primeiro ministro ao oficializar sua saída na frente do número 10 de Downing Street. Após o discurso, ele seguiu para o Palácio de Buckingham, onde entregou oficialmente seu cargo ao rei Charles 3º.

Rei aceitou renúncia de Starmer com “gratidão”, diz palácio. Em nota divulgada poucos minutos após o discurso do primeiro-ministro, a realeza divulgou uma imagem do premiê apertando a mão de Charles. Desse modo, o ato marca oficialmente a demissão do político.

Em seu discurso, o então primeiro-ministro destacou suas realizações no cargo, afirmando que a economia britânica está mais forte e que os serviços públicos estão melhores. “Saio com elegância, saio com um sorriso e saio orgulhoso de tudo o que conquistamos”, afirmou.

Starmer desejou sucesso ao próximo premiê, Andy Burnham, que também é do Partido Trabalhista. “Ele tem o meu total apoio”, declarou.

Descentralização e desafio com a extrema direita

Os principais sinais do projeto político de Burnham vieram após a vitória na eleição suplementar de Makerfield, em 18 de junho. Ele prometeu o que chamou de “maior reequilíbrio de poderes da história da Grã-Bretanha”, com transferência de competências para regiões e autoridades locais.

Burnham atribui parte do descontentamento social no país à concentração de decisões em Londres e à sensação de abandono fora do centro econômico do país. Conhecido por defender o norte da Inglaterra, ele ganhou o apelido de “rei do Norte” pela influência construída quando comandou a Grande Manchester.

A nova liderança trabalhista também tenta conter o avanço do Reform UK, partido de extrema direita liderado por Nigel Farage. Dirigentes trabalhistas veem a sigla como ameaça nas próximas eleições gerais, previstas para ocorrer até 2029.

Pressão por revisão de cortes na ajuda internacional

Antes de assumir, Burnham já foi cobrado a rever cortes na ajuda internacional anunciados no governo Starmer para financiar aumento de gastos com a defesa do país. Uma análise baseada no relatório financeiro anual do Ministério das Relações Exteriores, divulgado (16) aponta redução de 43% nas despesas de cooperação internacional em três anos, acima de £ 1 bilhão.

Organizações como a Rede Bond, que reúne mais de 300 ONGs do setor, afirmam que países mais pobres da África Subsaariana devem sofrer reduções drásticas. Malawi e Moçambique, por exemplo, podem registrar queda de cerca de 90% em relação aos níveis anteriores aos cortes iniciados nos exercícios de 2024 e 2025.

Críticas se intensificaram após a divulgação dos detalhes do plano, com alertas sobre impacto em áreas de conflito e crise humanitária. “Os programas britânicos em Mianmar salvam vidas.” “Esses cortes vão custar vidas”, disse Anna Roberts, diretora-executiva da Burma Campaign UK.

Governo britânico defendeu a estratégia e disse que pretende tornar mais eficiente cada libra investida em desenvolvimento. A secretária de Estado para o Desenvolvimento Internacional, Jenny Chapman, afirmou (16) que Londres não está abandonando os desafios globais.

Quem é Bunham

Formado em Filologia Inglesa pela Universidade de Cambridge, foi eleito deputado trabalhista em 2001 pelo distrito eleitoral de Leigh. Ele deixou o Parlamento britânico em 2017 após vencer a eleição para prefeito da Grande Manchester.

Andy Burnham, o novo primeiro-ministro do Reino Unido, é casado com a executiva de marketing holandesa Marie-France “Frankie” van Heel desde 2000. Eles se conheceram na universidade e têm três filhos.

Durante os governos trabalhistas de Tony Blair e Gordon Brown, Burnham ocupou vários cargos importantes. Um deles, portanto, foi o de ministro da Saúde, que assumiu entre 2009 e 2010.

Seu salto para a Prefeitura da Grande Manchester transformou sua carreira política. A partir dessa posição, promoveu políticas nas áreas de transporte, habitação e saúde pública, além de se tornar um defensor ferrenho da descentralização do poder no Reino Unido.

Sua popularidade disparou, especialmente em 2020, durante a pandemia de COVID-19. Na época, ele entrou em conflito público com o governo conservador de Boris Johnson sobre o financiamento para regiões sob rígidas restrições sanitárias.

Por fim, essa disputa o tornou, para muitos, um símbolo do norte da Inglaterra, que exigia mais atenção e recursos de Londres. Agora, estabelecido na capital, ele promete continuar pressionando por essas demandas.

Fonte: uol