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Para o palco, a cantora convidou a brasileira Iza, que ela inclui em sua lista de ídolos da nova geração do R&B, ao lado de nomes como Frank Ocean, Sza e Her

Alicia Keys fala sobre o Brasil e autoaceitação

Com esse espírito ela chegou ao Brasil para duas apresentações: em São Paulo, o show é nesta sexta-feira (5)

Cantora, escritora e empresária americana, dona de 15 prêmios Grammy, Alicia Keys é também uma ativista da autoaceitação. Em 2016, divulgou um manifesto a favor da cara limpa, sem maquiagem. Hoje, sete anos depois, vê com olhos preocupados os rostos alterados por filtros nas redes sociais.

Alicia não é do tipo que acha que nasceu na época errada. Pelo contrário. Ela conta ao que, muitas vezes, para e pensa: “Cara, ainda bem que não tive que crescer nesses tempos de agora!”

“Esse mundo exige que você sintonize seu espírito. Você simplesmente não pode esquecer quem você é.”

Assim, ainda há muito o que lutar, especialmente no que diz respeito aos ideais racistas de beleza, diz ela, que em 2020 criou sua própria marca de cuidados com a pele.

Portanto, fazer as pazes com a própria imagem foi um passo importante para a artista de 42 anos chegar à fase mais confiante e criativa de sua vida. Uma sensação de liberdade que refletiu na música: seu álbum mais recente, “Keys” (2021), traz Alicia mais experimental do que nunca, testando as congruências entre piano e música eletrônica, jazz e hip hop.

Assim, com esse espírito ela chegou ao Brasil para duas apresentações: em São Paulo, o show é nesta sexta-feira (5). Antes, na quarta (3), Alicia passou pelo Rio. Ela gosta tanto da cidade que arrisca causar certa polêmica ao afirmar que é mais bonita que Nova York, tema de um de seus maiores hits.

Aliás, para o palco, a cantora convidou a brasileira Iza, que ela inclui em sua lista de ídolos da nova geração do R&B, ao lado de nomes como Frank Ocean, Sza e Her.

Na entrevista abaixo, Alicia também fala sobre sua relação com Anitta, as peculiaridades dos fãs brasileiros, a fase mais segura e os conselhos que, se pudesse, daria para si mesma de 15 anos de idade, quando assinou seu primeiro grande contrato com uma gravadora, sem ter ideia do que estava por vir.

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Você tem falado em entrevistas que nunca se sentiu tão forte e livre criativamente. Por quê?

Alicia Keys – Eu realmente me sinto mais criativa do que nunca. Estou encontrando uma parte da minha criatividade que eu nunca soube que existia. Estou com um sentimento tão bom de confiança e alegria, com quem eu sou e com quem eu quero ser. Entretanto, são coisas que você leva tempo para entender e ser capaz de identificar.

Contudo, estou mais confiante e mais empolgada com tudo que é possível. Portanto, sinto que não há limites e que ainda nem comecei, e isso é o que eu mais amo: me sentir tão curioso e revigorada.

Como isso tem refletido na sua música?

Alicia Keys – No “Keys” [álbum de 2021], esse sentimento de liberdade me deixou mais confiante sobre meu estilo e minha singularidade. Isso é algo que todos nós temos: ninguém é igual a ninguém. E poder aproveitar isso no disco, me sentindo bem comigo mesma, foi bem especial.

Além disso, dá para ouvir isso nas músicas e na exploração das sonoridades. É um álbum com ousadia e sem medo.

Qual conselho você daria hoje para a jovem Alicia Keys, que estava começando na música?

Alicia Keys – Eu daria muitos conselhos, mas acho que o maior deles seria dizer que ela já sabe muita coisa. Ela pode pensar que não, que outras pessoas sabem mais, mas não é verdade. Ela não tem que se submeter aos outros, apenas ser confiante em si mesma. Confie em si mesma e tudo ficará bem. Esse seria o meu conselho.

Você é uma artista com um discurso muito poderoso sobre autoaceitação. Como vê o impacto causado pelas redes sociais na autoimagem de meninas mais jovens?

Alicia Keys – É tão complicado porque, com filtros ou sem filtros nas redes sociais, há esses ideais de beleza, que são inalcançáveis e você não se sente bonito se não for exatamente daquele jeito, que alguém decidiu que é bonito. Temos tantos problemas ao redor do mundo sobre colorismo. São tantas ideias racistas, então ainda há muito o que lutar.

Acho que o mais é importante não ficar tão envolvido nas redes sociais, ser capaz de se desconectar de tudo isso e só passar um tempo com você mesmo, com a sua família e com as pessoas que realmente se preocupam com você.
“Eu me sinto meio ‘cara, ainda bem que não tive que crescer nesses tempos de agora’!. Mas eu ainda tenho que interagir com esse mundo de muitas formas, e ele exige que você sintonize seu espírito.”

Você simplesmente não pode esquecer quem você é. É isso que prego na Keys Soulcare [marca de beleza que Alicia lançou em 2020], que é algo que criei porque tive um relacionamento difícil com minha pele, espinhas e coisas assim. Essas coisas me deixavam muito desconfortável, mas comecei a perceber que, antes de tudo, você deve se cercar de coisas que são boas para você porque as coisas com quais você interage criam a sua vida.

Sua última passagem pelo Brasil foi para o Rock in Rio de 2017. O Rio ainda é como você se lembra?

Alicia Keys – Absolutamente. Ainda é tão lindo, tão caloroso, amigável, especial… Tudo como eu me lembrava, e ainda melhor.

 Pelo Twitter, você tem respondido os fãs brasileiros e até distribuiu ingressos para alguns irem aos seus shows. O público brasileiro é diferente?

Alicia Keys – Toda vez que venho, tudo parece tão puro, tão genuíno, tão amoroso.

“Muitas pessoas ficam empolgadas com shows em diferentes países, se sentem absolutamente entusiasmadas, mas o amor que eu vejo aqui parece muito puro, muito genuíno e passional.”

Então eu acho que sim, vocês são mesmo diferentes.

 Como foi a escolha de Luedji Luna para abrir suas apresentações por aqui?

Alicia Keys – Me apresentaram a música dela porque eu queria alguém especial, que fosse do Brasil, para abrir os shows. Eu amo o que senti quando ouvi. Ela é tão divertida e única. Simplesmente adorei.

Você já mencionou Anitta em um discurso no Women in Music, evento da revista “Billboard”. Vocês se conhecem?

Alicia Keys – Sim, já tivemos contato e espero poder ter ainda mais. Anitta é maravilhosa, e acho que tem muito mais por vir na carreira dela. Também descobri recentemente, e adorei a Iza. Aliás, o Brasil tem tantos artistas legais, que são únicos, e eu adoro poder me conectar com eles.

Fonte: G1