A família decidiu comunicar o caso à ANP em julho de 2025 e passou a aguardar uma avaliação técnica.
Líquido possui características semelhantes às do petróleo
Durante a ida ao sítio, os técnicos da agência realizaram apenas uma inspeção visual do local e conversaram com os moradores. Nenhuma amostra foi coletada diretamente no poço nesse primeiro momento. Mesmo assim, os especialistas levaram uma amostra recolhida anteriormente por pesquisadores do IFCE, que acompanham o caso desde o início das investigações.
Testes preliminares feitos pelo instituto indicaram que o líquido possui características físico-químicas semelhantes às do petróleo encontrado em campos produtores do Rio Grande do Norte.
A propriedade fica em uma área ligada à Bacia Potiguar, região conhecida pela produção de petróleo entre Ceará e Rio Grande do Norte. Embora o município não faça parte de um bloco oficial de exploração, existem campos petrolíferos ativos nas proximidades.
Segundo especialistas, essa proximidade geológica aumenta a possibilidade de que o líquido seja realmente um hidrocarboneto. Ainda assim, apenas análises laboratoriais mais detalhadas poderão confirmar a origem da substância.
Enquanto os estudos continuam, a ANP orientou a família a isolar a área do poço e evitar contato com o material. A recomendação existe porque alguns hidrocarbonetos podem ser tóxicos. Além disso, o agricultor não deve abrir novos poços por enquanto. Perfurações inadequadas poderiam provocar vazamentos e até contaminar o lençol freático da região.
Descobridor não tem direito de propriedade
Apesar do espanto inicial, a ANP afirma que já recebeu relatos semelhantes em outras ocasiões. Em alguns casos, a presença de petróleo foi confirmada. Em outros, tratava-se apenas de pequenas acumulações sem valor comercial.
Se confirmarem a presença de petróleo, a empresa não explorará a área imediatamente. Primeiro será necessário avaliar o tamanho da jazida e se a extração seria economicamente viável.
Mesmo que a exploração ocorra no futuro, o agricultor não se tornará dono do petróleo encontrado em seu terreno. Pela legislação brasileira, os recursos minerais do subsolo pertencem à União. No entanto, o proprietário pode receber uma compensação financeira caso a produção comercial seja autorizada. Esse repasse pode chegar a até 1% do valor da produção, dependendo de diversos fatores técnicos.
Enquanto aguarda a conclusão das análises, a família continua enfrentando o problema que motivou a perfuração: a falta de água. A residência fica em uma área rural onde o abastecimento é irregular. Segundo familiares, o fornecimento por adutora nem sempre é suficiente para todo o mês. Por isso, muitas vezes é necessário comprar água transportada por caminhões-pipa.
A perfuração do primeiro poço custou cerca de R$15 mil, valor obtido por meio de empréstimo e economias da família. Mesmo após encontrar o líquido escuro, Moreira decidiu tentar novamente. Ele mandou perfurar um segundo poço, mais raso, mas também não encontrou água. Desde então, a família aguarda orientações das autoridades sobre como proceder.
Nos próximos meses, a ANP deve realizar análises mais detalhadas para identificar a composição do líquido e avaliar o potencial da área. Somente após esses estudos será possível confirmar se a substância encontrada é realmente petróleo.