De forma reservada, ministros do STF se movimentam para Bolsonaro ser transferido para prisão domiciliar
A movimentação para transferir Jair Bolsonaro para o regime de prisão domiciliar ganhou tração nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) e envolve um arco mais amplo de apoios do que se admitia publicamente, revelou O GLOBO.
Além da atuação direta da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a articulação conta também com manifestações favoráveis de ministros do Supremo Tribunal Federal. Ainda que de forma reservada.
Segundo relatos colhidos pela equipe da coluna, o ministro Gilmar Mendes teve papel relevante ao estimular o relator da ação sobre a trama golpista, Alexandre de Moraes, a receber Michelle Bolsonaro em audiência (15). O próprio Gilmar, que também conversou com a ex-primeira-dama, tem sinalizado apoio à prisão domiciliar em razão do estado de saúde do ex-presidente. Sempre ressaltando, contudo, que a decisão final cabe a Moraes, com quem mantém relação próxima.
Kassio Nunes Marques a favor de Bolsonaro
Outro ministro que já se manifestou favoravelmente à transferência foi Kassio Nunes Marques, indicado ao cargo por Bolsonaro. Segundo interlocutores, ele também comunicou a Moraes sua avaliação de que o regime domiciliar seria adequado diante do quadro clínico do ex-presidente.
Tanto Gilmar quanto Nunes Marques integram a Segunda Turma do STF. E, portanto, não participaram do julgamento da Primeira Turma que condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por articulação de um golpe de Estado. Nos bastidores, aliados do ex-presidente avaliam que a manutenção de Bolsonaro no sistema prisional pode ampliar o desgaste institucional da Corte. “Se Bolsonaro morrer na cadeia, o Supremo fica ainda mais no sal”, afirmou, sob reserva, um interlocutor próximo ao ex-presidente, fazendo referência ao desgaste recente provocado por decisões controversas do ministro Dias Toffoli no caso Banco Master.
Ao determinar a transferência de Bolsonaro para a Papudinha (15), Moraes ordenou que o ex-presidente fosse submetido “imediatamente” a uma junta médica da Polícia Federal. Responsável por avaliar seu estado clínico e as condições necessárias para o cumprimento da pena. Os peritos permaneceram cerca de duas horas no local, realizaram exames e fizeram questionamentos detalhados sobre o histórico de saúde do ex-presidente.



