Rússia busca reaquecer comércio com a China após queda nos negócios bilaterais
O comércio entre a Rússia e a China, que subiu para níveis recordes quando a guerra na Ucrânia deixou Moscou isolada, agora está caindo, uma tendência que o presidente russo Vladimir Putin está tentando reverter enquanto se prepara para uma reunião com o líder chinês Xi Jinping. Disseram três fontes russas.
Quando os parceiros ocidentais cortaram os laços com a Rússia após a invasão da Ucrânia por Moscou em fevereiro de 2022, a China veio em seu socorro. Todavia, comprando petróleo russo e vendendo produtos. De automóveis a eletrônicos. O que levou o comércio bilateral a um recorde de US$245 bilhões em 2024.
Liderado por uma queda nas importações de veículos para a Rússia e um declínio nas exportações de petróleo para a China, o volume de negócios caiu 8,1% de janeiro a julho de 2025. Contudo, em relação ao ano anterior. Mostraram dados da alfândega chinesa publicados na semana passada.
Embora os números reflitam, em parte, uma correção natural dos patamares históricos, a queda está causando preocupação em Moscou. Antes da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai na cidade portuária de Tianjin, no norte da China. No domingo e na segunda-feira, disseram as fontes.
“Antes da visita, as autoridades de ambos os lados estão procurando maneiras de aumentar o comércio porque os números atuais não parecem bons”, disse uma pessoa envolvida nos preparativos para a viagem de Putin, que falou sob condição de anonimato.
Agricultura e energia poderiam ser áreas de expansão, disse uma das fontes.
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A China é o maior parceiro comercial da Rússia e Moscou tem plena consciência de sua dependência de Pequim para sua economia e Forças Armadas. De acordo com conversas que a Reuters teve com fontes próximas ao governo russo.
“ECONOMIA TERIA ENTRADO EM COLAPSO”
Os fortes volumes de comércio ajudam a Rússia a manter uma frente unida com a China e a promover a visão de mundo compartilhada por Putin e Xi. Que retrata o Ocidente como em declínio enquanto a China desafia a supremacia dos Estados Unidos em muitas áreas.
Xi e Putin se encontraram várias vezes e assinaram uma parceria estratégica “sem limites” em fevereiro de 2022. Contudo, poucas semanas antes de Putin enviar seu exército para a Ucrânia.
Ao visitar o Kremlin em maio, Xi disse a Putin que os dois países deveriam ser “amigos do aço” e se comprometeram a elevar a cooperação a um novo patamar para combater a influência dos EUA.
Mas com a economia da China cerca de nove vezes maior que a da Rússia, não há dúvidas de quem é o ator dominante no relacionamento. Algo que as autoridades em Moscou reconhecem.
Sobretudo, a China é responsável pela maior parte das receitas de exportação da Rússia. Disse uma quarta fonte próxima ao governo russo, e a tecnologia fornecida por Pequim tem sido crucial para as Forças Armadas russas.
“Sem eles, não teríamos sido capazes de fabricar um único míssil, muito menos um drone, e toda a economia teria entrado em colapso há muito tempo”, disse a pessoa. “Se eles quisessem, a guerra já teria acabado há muito tempo.”
Apesar da retórica de amizade, no entanto, outra fonte próxima ao governo disse que os maiores parceiros comerciais da Rússia, a China e a Índia, agem principalmente em seus próprios interesses. E que Moscou não tem aliados genuínos.
“A China não se comporta como um aliado”, disse a fonte. “Às vezes, ela nos decepciona e interrompe os pagamentos, às vezes tira vantagem, às vezes é um roubo total, não há nada de aliado nisso.”
O Ministério das Relações Exteriores da China disse que a cooperação entre os dois países produziu resultados frutíferos
“A base geral da cooperação entre os dois lados continua sólida. E a tendência subjacente de progresso constante não mudou e será mantida a longo prazo”, disse um porta-voz do ministério. “A China está cheia de confiança nas perspectivas da cooperação China-Rússia.”
Fonte: uol