Rombo nas contas públicas do Brasil atingiu R$ 61,6 bilhões em 2025 e expôs o desequilíbrio fiscal apesar do cumprimento formal da meta oficial
Dados do Tesouro Nacional mostram que o governo central fechou o ano com um déficit de R$ 13,008 bilhões, ou 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), saldo que exclui despesas com precatórios, ressarcimentos a aposentados e algumas despesas de saúde, educação e defesa. Desse modo, o resultado após as deduções cumpre a meta de déficit primário zero, que tem uma tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB.
Contudo, o tamanho do rombo efetivo é muito maior. Segundo os dados do próprio governo, o déficit é R$ 61,691 bilhões, equivalente a 0,48% do PIB, valor que, se fosse considerado, faria com que o Brasil não cumprisse sua meta de gastos públicos. Esse é o valor que, de forma efetiva, impacta negativamente a dívida pública do país.
Há duas semanas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, antecipou o resultado agora oficializado. Contudo, o governo central — formado pelo Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social — registrou no ano passado um déficit maior do que em 2024, quando o saldo negativo somou R$ 42,924 bilhões.
Os números dizem respeito à diferença entre receitas e despesas do governo, sem contar o gasto com juros da dívida pública
A arrecadação adicional impulsionou os ganhos, com R$ 43,6 bilhões arrecadados em Imposto de Renda (+5,2%), R$ 15,4 bilhões em Imposto sobre Operações Financeiras (+21,3%), recentemente elevado pelo governo, e R$ 9,0 bilhões em Imposto de Importação (+10,9%).
O Tesouro informou ainda que os ministérios terminaram o ano com R$ 8 bilhões em caixa. Valor referente ao empoçamento de recursos já liberados, contra R$ 12,5 bilhões registrados no fechamento de 2024.



