Overturismo na Europa: No List 2026 da Fodor’s
À medida que os verões europeus ficam mais quentes, incêndios continuam ocorrendo e relatos de superlotação aumentam, o número de visitantes segue crescendo.
A “No List” de 2025 indicou cinco destinos europeus “onde moradores não desejam a chegada de mais visitantes”:
Barcelona
Mallorca
Ilhas Canárias
Veneza
Lisboa
Apenas um permanece na No List de 2026, sem que isso signifique que os demais tenham resolvido seus problemas. A Fodor’s direcionou a atenção para outras regiões.
Muitos destinos listados em 2026 são cidades ou áreas onde moradores vêm expressando oposição ao turismo sem controle, responsabilizado pelo aumento do preço dos imóveis, pela falta de moradias de curto prazo para residentes e pelo impacto ambiental.
Três desses locais estavam na Espanha, cujo número de visitantes tem sido alvo de críticas
No verão de 2025, regiões espanholas — em um país que já era o segundo mais visitado do mundo em 2024, atrás apenas da França — registraram números recordes.
Um desses destinos segue na No List de 2026: as Ilhas Canárias. Esse arquipélago vulcânico espanhol, localizado a 100 km da costa do Marrocos, inclui Lanzarote, Gran Canaria e Tenerife, e foi o terceiro destino mais visitado da Espanha.
Relatórios de turismo das Ilhas Canárias indicam que as sete ilhas receberam 1,23 milhão de visitantes em agosto de 2025, 6% a mais que no ano anterior, alcançando o maior total mensal já registrado. Dez milhões de estrangeiros visitaram o arquipélago no primeiro semestre, principalmente do Reino Unido e da Alemanha, que respondem por 35% do PIB local.
Segundo a Euronews, 66,8 milhões de pessoas visitaram a Espanha entre janeiro e agosto de 2025, 3,5% a mais que no ano anterior. O governo adotou medidas para mitigar o overtourism. A Espanha encerrou o programa de “golden visa” e, no caso das Ilhas Canárias, introduzirá uma taxa para trilhas no parque nacional Teide-Pico Viejo. O valor entrará em vigor em 2026 e deverá ser de cerca de €25 (25 euros – R$156), variando conforme a trilha.
Outras três áreas europeias entraram na No List 2026:
Isola Sacra, Itália
Região de Jungfrau, Suíça
Montmartre, Paris, França
Em Paris, moradores relataram durante o verão a transformação de Montmartre, onde comércios locais estão sendo substituídos por lojas de souvenirs, e espaços comunitários dão lugar a cafés para turistas.
Isola Sacra, distrito costeiro de Fiumicino, a cerca de 32 km de Roma, enfrenta planos para permitir a atracação de grandes navios de cruzeiro. O fundo do mar é raso e exigiria a retirada de 105 milhões de pés cúbicos de areia, afetando a biodiversidade marinha e aumentando a erosão costeira.
Na Suíça, a região de Jungfrau, no Oberland bernês, enfrenta crescimento acelerado de visitantes que buscam montanhas consideradas “no topo da Europa”, pressionando geleiras em retração, recursos naturais e a rotina local.
Dois locais que estavam na lista de 2025 não aparecem em 2026: Agrigento, na Sicília, capital italiana da cultura em 2025 e afetada por crise hídrica, e a rota North Coast 500, nas Terras Altas da Escócia, onde a falta de infraestrutura levou visitantes a acampar em áreas inadequadas, deixando marcas de fogueiras, lixo e dejetos humanos.
A “Lista do Não” de 2026
Em 2025, a Fodor’s destacou três destinos onde a gestão de resíduos era urgente devido ao grande volume de turistas:
Bali, Indonésia, onde apenas 7% das 303.000 toneladas anuais de resíduos plásticos são recicladas.
Koh Samui, Tailândia, onde grande parte das 200 toneladas diárias de lixo permanece em aterros sem solução de longo prazo.
Monte Everest, entre Nepal e China, onde atividades turísticas geram cerca de 900 kg de dejetos e outros resíduos por dia.
A edição de 2026 inclui quatro novos destinos de viagem:
Antártica
Parque Nacional Glacier
Cidade do México, México
Mombaça, Quênia
A Cidade do México registrou protestos contra o overtourism durante o verão de 2025. A primeira manifestação ocorreu em 4 de julho, contra o fluxo constante de visitantes norte-americanos e europeus em bairros valorizados. Desse modo, pressionando moradores diante de aumentos de aluguel e pouca regulação de imóveis de temporada. Houve também críticas à adoção de cardápios em inglês e à redução da pimenta em pratos tradicionais para atender visitantes estrangeiros.
Segundo o Le Monde, o número de visitantes à Antártica aumentou significativamente em dez anos. Na temporada 2024–2025, de outubro a março, cerca de 118.000 pessoas visitaram o continente, 40% delas dos EUA, muito acima dos 36.000 visitantes registrados uma década antes. Contudo, especialistas citam a fragilidade ambiental como motivo para limitar o fluxo.
O Parque Nacional Glacier, no noroeste dos EUA, na fronteira com o Canadá, registra aquecimento quase duas vezes maior que a média global. Dos cerca de 150 glaciares do início do século 20, restam 27, que podem desaparecer até 2030.
Mombaça, no Quênia, entrou na lista porque o país alcançou 2,4 milhões de chegadas internacionais em 2024. Aumento de 14,6% em relação a 2023, com o turismo de cruzeiros crescendo 164% em Mombaça e Lamu.
Os 8 destinos de viagem para evitar em 2026
A No List 2026 inclui oito destinos:
Antártica
Ilhas Canárias, Espanha
Parque Nacional Glacier, EUA
Isola Sacra, Itália
Região de Jungfrau, Suíça
Cidade do México, México
Mombaça, Quênia
Montmartre, Paris, França
Esses são os locais onde viajantes que buscam reduzir o overtourism e a superlotação em 2026 podem considerar ajustar seus planos de viagem ao longo do ano e nos períodos seguintes.
Fonte: forbes





