O recorde anterior foi registrada em 2011, quando 4,4 milhões de toneladas foram colhidas. Apesar do desempenho robusto, o setor entra em 2026 sob pressão climática e de custos, o que pode limitar a oferta e manter os preços elevados. Conforme alerta o boletim da multinacional portuguesa Ascenza. No Brasil, a organização atua com defensivos agrícolas e patentes para cultivares de tomate.
O avanço se deu principalmente pelo melhor manejo no campo, com irrigação e melhoramento genético. As tecnologias promoveram maior produtividade por hectare, destacou a empresa. A área plantada passou de 52,3 mil hectares em 2022 para 63,3 mil hectares em 2025 — crescimento de 21%. Já a produtividade média subiu de 71 para 74 toneladas por hectare no período.
Mas, o início deste ano já trouxe condições meteorológicas desfavoráveis para a cultura. Chuvas frequentes combinadas com temperaturas elevadas aumentaram a incidência de doenças fúngicas e bacterianas. O que tem provocado manchas nos frutos e maior descarte nas lavouras.
Segundo Hugo Centurion, head da Ascenza Brasil, o cenário exige intensificação das estratégias de manejo
“O monitoramento constante da lavoura, programas integrados de proteção, rotação de ativos e uso correto de defensivos registrados são essenciais para reduzir perdas e preservar a sanidade das plantas”, afirmou em nota.
Ele destaca ainda que práticas como irrigação adequada, ventilação do dossel e uso de variedades mais resistentes — incluindo plantas enxertadas — ajudam a sustentar a produtividade mesmo em condições adversas.
Hoje, o Brasil está entre os dez maiores produtores globais de tomate, oscilando entre o 5º e 9º lugar do ranking, dependendo da safra. Atualmente, a China lidera a produção com folga, seguida por Índia, Turquia, Estados Unidos e países da União Europeia.
Dados da consultoria Mordor Intelligence apontam que o mercado global de tomate movimentou US$ 217 bilhões em 2025 e pode alcançar US$ 273,8 bilhões até 2030. Com crescimento médio anual de 4,76%.
Oferta limitada, tomate mais caro
A menor disponibilidade de frutos de qualidade já começa a impactar o mercado atacadista. Levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo) mostra estabilidade recente nos preços em São Paulo e Belo Horizonte. Mas altas expressivas em outras regiões.
No Rio de Janeiro, o tomate longa vida registrou valorização de 34% no início de fevereiro, com a caixa chegando a R$ 134,12. Em Campinas, a alta foi de 11%. Para efeito de comparação, o maior preço observado em fevereiro de 2025 foi de R$ 109,75.
A pressão altista pode persistir ao longo do ano. Projeção do FGV Ibre indica que o tomate deve acumular aumento próximo de 7% em 2026. Impulsionado, contudo, pela oferta restrita e pelos custos elevados de produção.
A produção nacional está concentrada principalmente em quatro estados: Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. O cultivo é dividido em dois grandes segmentos de tomate de mesa (in natura) — cerca de 60% da produção — e tomate industrial — destinado a molhos, extratos e derivados.
Fonte: cnn



