Se confirmada, a taxa de crescimento apontará desaceleração em relação ao ano passado, quando o Brasil deve ter avançado 2,5%, segundo a instituição, com sede em Nova York, nos EUA.
Revisão das projeções e comparação com anos anteriores
Ao atualizar suas projeções, a ONU manteve a expectativa de crescimento do Brasil em 2026, mas aumentou a de 2025 em 0,7 ponto porcentual. Ainda assim, a expansão econômica do país no ano passado também representa uma desaceleração na comparação com 2024, quando o Brasil cresceu 3,4%.
Efeitos do aperto monetário
“A desaceleração projetada reflete os efeitos defasados do aperto monetário, que elevou as taxas de juros a níveis mais altos em décadas e continua a pesar sobre o investimento”, avalia a ONU, em relatório, publicado (8).
Uma postura fiscal “moderadamente expansionista”, porém, deve compensar parcialmente a desaceleração, acrescenta.
Impacto das tarifas dos Estados Unidos
A organização diz que “ventos contrários adicionais surgiram das tarifas recentemente impostas pelos Estados Unidos, de até 50%, sobre uma ampla gama de importações brasileiras”.
Apesar disso, pondera, o impacto geral no Brasil deve ser limitado, já que os EUA representam apenas cerca de 12% das exportações brasileiras, além de o governo do presidente Donald Trump já ter recuado na taxação de diversos segmentos da pauta exportadora.
Aceleração apenas no próximo governo
Para a ONU, o país só voltará a acelerar o ritmo de expansão no próximo governo. A organização espera que a economia brasileira cresça 2,3% em 2027.
Brasil em relação à América Latina
O Brasil deve crescer mais em 2025 do que a média da América Latina e do Caribe, cuja economia avançou 2,4% no ano passado. No entanto, o país tende a se expandir em ritmo menor que o da região nos anos seguintes.
Em relação ao México e à América Central, o Brasil mostra maior vigor econômico em 2025, 2026 e 2027, mas deve perder essa posição em 2027, prevê a ONU.
Desafios fiscais persistem
A ONU reforça o alerta da comunidade internacional para os desafios fiscais do Brasil. A relação entre a dívida bruta do governo geral e o PIB ultrapassou 90% no ano passado, atingindo 91,4%, ante 87,3% em 2024.
O patamar supera a média dos países em desenvolvimento, cuja relação subiu de 73% para 76,9% no mesmo período.
Credibilidade do arcabouço fiscal
“Desvios recentes do arcabouço fiscal — em meio a isenções fiscais temporárias, despesas acima do planejado e o uso de linhas de crédito extraordinárias — ressaltam os desafios contínuos em reforçar a credibilidade fiscal”, reforça a ONU.
Inflação acima da meta
Para a ONU, o Brasil não conseguirá cumprir a meta de inflação em 2025. Desse modo, a organização estima que o IPCA tenha fechado o ano passado em 5%, acima da meta contínua de 3%.
“No Brasil, a inflação geral permanece teimosamente acima da meta do banco central”, afirma a entidade.
Inflação deve convergir nos próximos anos
Nos próximos anos, porém, a inflação deve convergir para a meta do BC. A ONU projeta IPCA de 4,3% em 2026 e 4% em 2027.
Política monetária e juros
A organização diz que o Brasil foi uma “exceção importante” no ciclo de afrouxamento monetário visto em países emergentes em 2025.
“Após um aperto substancial, o Banco Central manteve a taxa em 15%, a mais alta desde 2006, com um ciclo de afrouxamento esperado para começar em 2026”, avalia.
Mercado de trabalho em destaque
A ONU destaca ainda que o Brasil foi um dos países em desenvolvimento a reduzir o desemprego e elevar o salário mínimo em 2025.
“O Brasil atingiu o menor índice de desemprego em décadas”, afirma a organização. O indicador estava em 5,2% em novembro de 2025.
Fonte: cnn



