Discurso de Lula na ONU terá como pilares a soberania nacional, o combate ao crime organizado e a urgência climática
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará nesta terça-feira (22) o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, no qual deve defender o multilateralismo, cobrar uma reforma do Conselho de Segurança e pedir maior cooperação internacional para enfrentar conflitos e desafios globais.
Será a décima vez que Lula fará o discurso que tradicionalmente abre o debate geral da Assembleia Geral. É esperado que a fala dure cerca de 20 minutos.
Segundo o Itamaraty, entre os temas previstos estão ainda mudanças climáticas, meio ambiente, violações de direitos humanos e impactos do avanço da inteligência artificial.
Lula também deve abordar os efeitos econômicos das guerras, como a alta nos preços de alimentos, combustíveis e fertilizantes, e, por fim, soluções negociadas para esses conflitos.
Conselho de Segurança
Sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU, Lula deve voltar a questionar a estrutura que concentra o poder de veto nas mãos dos cinco membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — e defender mudanças na organização.
A expectativa, segundo fontes do governo, é que a mensagem geral seja de que a ONU vem apresentando dificuldades para cumprir suas principais funções. Especialmente na prevenção e na solução de conflitos.
Trump
Apesar da proximidade entre as agendas de Lula e Trump, não há, até o momento, um pedido de reunião bilateral entre os dois por nenhuma das partes.
Segundo fontes do MRE (Ministério das Relações Exteriores), os líderes de Estado devem se encontrar informalmente após o discurso do brasileiro e antes da fala do norte-americano. A expectativa é de um cumprimento e uma breve conversa, sem uma reunião formal.
As declarações recentes de Lula sobre a disposição de conversar com Trump e pedir que o presidente norte-americano não interfira nas eleições brasileiras são vistas pelo governo como demonstração de abertura ao diálogo. Mas não significam que exista uma bilateral prevista.
Crime organizado
O combate ao crime organizado também deve aparecer entre os temas. A intenção, portanto, é apresentar as ações brasileiras contra facções criminosas e crimes ambientais como exemplos da necessidade de ampliar a cooperação entre os países.
Na avaliação de integrantes do governo, a menção ao Brasil em um documento enviado pelo governo norte-americano ao Congresso dos EUA sobre combate às organizações criminosas seria uma tentativa de politizar o tema. O documento não inclui o Brasil na lista de países apontados, mas cita o país no texto.
Agenda
Além do discurso, Lula terá uma agenda de reuniões em Nova York. O presidente foi ontem (20) para os Estados Unidos.
Nesta segunda-feira (21), está prevista uma reunião com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, na residência do embaixador brasileiro. A comitiva também recebeu mais de 30 pedidos de reuniões bilaterais, mas ainda não definiu quais encontros serão realizados.
Fonte: r7





