Cúpula na Casa Branca aproxima Trump e Xi de magnatas da tecnologia em meio à disputa global por semicondutores e inteligência artificial
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu ontem (24) o presidente da China, Xi Jinping, para um jantar de Estado na Casa Branca, em Washington. O encontro reuniu mais de 130 convidados, entre autoridades dos dois países, empresários e alguns dos principais nomes da indústria de tecnologia mundial.
A presença de executivos de grandes empresas colocou a inteligência artificial (IA), os chips e a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China no centro das atenções. Entre os convidados estavam Elon Musk, da Tesla e SpaceX; Sam Altman, da OpenAI; Mark Zuckerberg, da Meta; Jensen Huang, da Nvidia; Lisa Su, da AMD; Tim Cook, presidente do conselho da Apple; Sundar Pichai, do Google; Jeff Bezos, fundador da Amazon; Satya Nadella, da Microsoft; Sergey Brin, cofundador do Google; Michael Dell, da Dell Technologies; e outros executivos.
Também participaram representantes de empresas como Micron, Qualcomm, Zoom e TikTok, além de dirigentes de grandes instituições financeiras, como Jamie Dimon, do JPMorgan Chase; Larry Fink, da BlackRock; David Solomon, do Goldman Sachs; e Jane Fraser, do Citigroup. Além disso, o setor industrial também teve representantes, incluindo executivos da Boeing, Lockheed Martin, General Motors, ExxonMobil e Pfizer.
Trump e Xi destacam relação entre os dois países
Durante o jantar, Trump afirmou que ele e Xi “nunca se deram tão bem” e destacou o tom amistoso da relação entre os dois países. O presidente americano também entregou ao líder chinês uma estátua de uma águia-careca, símbolo nacional dos Estados Unidos.
Xi, por sua vez, adotou um tom mais voltado à relação estratégica entre Washington e Pequim. O presidente chinês destacou a interdependência entre as duas maiores economias do mundo e defendeu que os países evitem a chamada “armadilha de Tucídides”, conceito relacionado ao risco de conflito entre uma potência estabelecida e outra em ascensão.
Por outro lado, Xi também citou episódios históricos de aproximação entre os dois países, como a chamada diplomacia do pingue-pongue, que contribuiu para a reaproximação entre Estados Unidos e China durante o governo de Richard Nixon.
Gigantes da IA ficaram na mesma mesa
A disposição dos convidados chamou atenção. Jensen Huang, da Nvidia, Lisa Su, da AMD, Elon Musk e Tim Cook ficaram na mesa principal, próximos a Trump e Xi. A escolha colocou lado a lado executivos de algumas das empresas mais importantes para a atual corrida por inteligência artificial e semicondutores.
Jantar na Casa Branca reúne Trump, Xi, Musk, Altman e Zuckerberg
Sam Altman e Mark Zuckerberg também participaram do jantar, enquanto outros nomes importantes da indústria, como Pichai, Bezos, Nadella e Brin, estavam entre os convidados. A OpenAI, inclusive, contou com dois representantes: Altman e Greg Brockman.
Um dos nomes que não apareceu na lista foi Dario Amodei, CEO da Anthropic e um dos executivos que vêm defendendo maior controle sobre o avanço da inteligência artificial.
IA está no centro da disputa entre EUA e China
A reunião acontece em um momento de forte competição entre Estados Unidos e China pelo domínio de tecnologias estratégicas. A inteligência artificial é um dos principais pontos dessa disputa, que envolve o desenvolvimento de modelos, infraestrutura para processamento e acesso aos chips avançados utilizados por esses sistemas.
A Nvidia e a AMD estão entre as empresas diretamente envolvidas nesse cenário. Os Estados Unidos mantêm restrições à exportação de determinados chips avançados para a China, enquanto Pequim tenta desenvolver alternativas próprias para reduzir sua dependência da tecnologia americana.
A disputa também envolve acusações relacionadas ao treinamento de modelos de IA. Empresas americanas e chinesas vêm sendo alvo de questionamentos sobre o uso de tecnologias e modelos desenvolvidos no outro país. Enquanto propriedade intelectual e acesso a semicondutores permanecem no centro das negociações.
Executivos divergem sobre os riscos da inteligência artificial
O jantar também colocou no mesmo ambiente executivos que têm posições diferentes sobre como lidar com os riscos da IA.
Em setembro, Dario Amodei defendeu uma desaceleração coordenada no desenvolvimento da tecnologia, argumentando que o avanço dos modelos está ocorrendo rapidamente e pode ampliar riscos relacionados ao chamado autoaperfeiçoamento recursivo.
Sam Altman, Elon Musk e Demis Hassabis demonstraram concordância com a preocupação. Enquanto Mark Zuckerberg e Jensen Huang adotaram posições contrárias à ideia de uma desaceleração coordenada.
Trump, por sua vez, vem defendendo que os Estados Unidos mantenham a liderança mundial no desenvolvimento da inteligência artificial. Para o governo americano, a vantagem tecnológica sobre a China também está relacionada à segurança nacional.
China defende cooperação
Xi Jinping também afirmou que China e Estados Unidos podem buscar cooperação em inteligência artificial, mesmo diante da competição entre os dois países. Antes do jantar, autoridades dos dois governos já haviam discutido a criação de canais de comunicação sobre questões relacionadas à IA.
O líder chinês também afirmou que a China mantém suas portas abertas para empresas americanas. Sendo assim, defendeu que companhias chinesas sejam tratadas de maneira justa nos Estados Unidos.
O jantar ocorreu, portanto, em meio a uma série de negociações entre Washington e Pequim envolvendo comércio, tarifas, tecnologia, semicondutores e outros temas estratégicos. A visita de Xi marcou seu retorno à Casa Branca depois de mais de uma década e reuniu, no mesmo ambiente, os líderes políticos dos dois países e executivos de empresas que estão diretamente envolvidos na corrida tecnológica global.
Fonte: olhar digital







