Hospital na Itália anuncia sucesso em transplante inédito de mácula entre os próprios olhos de paciente idosa, revertendo quadro de cegueira
Uma equipe médica da Itália realizou o primeiro transplante da mácula, região central da retina, de um olho para outro, e o procedimento inédito permitiu que uma paciente idosa recuperasse a visão após permanecer cega por cinco anos, informou um hospital de Turim.
Elena, de 67 anos, “havia perdido completamente a visão devido a um grave acidente de trânsito. Que provocou uma lesão irreversível no nervo óptico do olho esquerdo. A lesão impedia a transmissão da luz do olho para o cérebro. Embora as demais estruturas oculares permanecessem preservadas”, informou o Hospital Molinette em comunicado enviado à AFP (27).
Já o olho direito, que apresentava uma maculopatia, também havia sofrido traumas que comprometeram de forma irreversível tanto a retina quanto a transparência da córnea, segundo a instituição.
Comprometimento da córnea impedia tratamento convencional
“O comprometimento total da região que abriga as células-tronco tornava inviável a realização de um transplante convencional de córnea”, informou o hospital, ressaltando que a condição deixava a paciente sem perspectiva de recuperar a visão.
Esse desafio, considerado até então “insuperável” pela equipe médica, foi vencido pelo professor Michele Reibaldi e seus colegas em Turim.
Utilizando os tecidos saudáveis, mas já sem utilidade funcional, do olho esquerdo, os especialistas removeram e transplantaram para o olho direito. Um conjunto anatômico composto por córnea, esclera e conjuntiva. E, pela primeira vez no mundo, a parte central da retina — a mácula, detalhou o hospital.
A cirurgia, considerada de alta complexidade, durou cerca de seis horas. Os médicos classificaram a técnica como um “transplante biológico”, pois reconstruíram um olho funcional a partir de tecidos dos dois olhos da paciente.
Por fim, segundo o professor Michele Reibaldi, responsável pelo procedimento, a equipe ainda acompanhará a resposta da retina transplantada para avaliar o grau de recuperação visual a longo prazo. Apesar da necessidade de monitoramento, os especialistas consideram os primeiros resultados encorajadores. E veem a técnica como um possível avanço no tratamento de casos antes considerados sem alternativa terapêutica.
Fonte: forbes




