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Governo avalia impacto de MP para banir cassinos online e preservar apenas as apostas esportivas, com decisão prevista antes das eleições. Foto: Reprodução/ChatGPT

Governo prepara MP para proibir cassinos online, dizem fontes

Com disposição pessoal de Lula, governo acelera minuta de MP para restringir cassinos online

O governo federal prepara uma medida provisória (MP) para proibir cassinos online no país, apesar de preocupações sobre perda de arrecadação e possível judicialização por empresas autorizadas a ​operar no Brasil, disseram à Reuters fontes que acompanham o ​debate dentro do Palácio do Planalto.

De acordo com duas fontes, a proibição não incluiria as apostas esportivas e o patrocínio de clubes e campeonatos esportivos, mas, ainda assim, teria impacto direto nessas áreas, uma vez que são as mesmas empresas que ​atuam em ambos os setores.

Estimativas do ⁠setor indicam que ​entre 50% e 70% da receita de algumas operadoras vêm dos jogos de ⁠cassino online. Segundo uma fonte envolvida nas discussões, a outorga concedida ​pelo governo no ano passado incluía a exploração das duas modalidades. Atualmente, existem 188 “bets” autorizadas a funcionar no país.

O texto final da MP ainda espera a palavra final do presidente Luiz ‌Inácio Lula da Silva. O que deve acontecer ‌ainda antes do ​primeiro turno das eleições, disseram as fontes. Lula já falou abertamente que sua intenção é proibir as apostas online no país. Mas o governo pondera possíveis consequências da MP para modular o texto final da proposta.

“Nós estamos ‌discutindo. Já fiz três reuniões no governo, já fiz reunião com a sociedade e a minha disposição pessoal é acabar com as bets”, afirmou Lula em entrevista em um podcast na quarta-feira, ainda que ressaltando que precisa “ter muita responsabilidade”.

Decisão ainda está em discussão

Uma outra fonte disse à Reuters que o presidente “quer e vai fazer” uma medida, mas a discussão está entre Lula e seus ministros para que seja tomada uma decisão.

O governo reconhece que há impactos significativos na decisão de proibir os jogos online, mesmo com a manutenção das apostas esportivas. Além das empresas perderem boa parte do seu faturamento, o ‌que reduziria o dinheiro disponível para o financiamento esportivo, o governo também perderia arrecadação.

De acordo com dados do Tesouro, a arrecadação no ano passado com outorgas e impostos foi de quase ​R$ 10 bilhões. Uma das fontes disse que o Ministério da Fazenda já teria aceitado que irá perder arrecadação. Mas ainda assim existem outras questões, entre elas a ‌possível necessidade de devolver parte das outorgas pagas pelas empresas para operar os jogos no país.

“É como pagar para explorar 100 quilômetros de estrada e depois poder explorar só 20”, disse a fonte. “Existe um risco ‌de judicialização.”

As apostas esportivas de quota fixa ‌foram autorizadas em lei em 2018. Mas o processo de regulamentação e licenciamento das operadoras só foi concluído pelo governo Lula, em 2024.

O governo Lula ⁠criou uma série de regras para tentar evitar o endividamento excessivo, mas, ainda assim, os gastos com as apostas subiram exponencialmente.

Apostas impactam orçamento das famílias

O Ministério da Fazenda calcula que, hoje, as famílias brasileiras gastem cerca de R$ 60 bilhões em apostas por ano. Associações comerciais e bancos apontam, em estudos, uma transferência de gastos do comércio e pagamento de contas para as ​apostas online. E o aumento ​do endividamento das famílias.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) argumenta que eventuais restrições ao mercado regulado de apostas deveriam ser precedidas por estudos de impacto econômico e jurídico que avaliem os custos da medida para empresas já autorizadas a operar.

Segundo a entidade, mudanças que limitem ou inviabilizem atividades licenciadas mediante pagamento de outorgas podem gerar direito a ressarcimentos e indenizações.

“Se o Estado restringir uma atividade para a qual concedeu autorização mediante o pagamento de outorga, não pode ignorar as consequências patrimoniais dessa ⁠decisão. Em uma estimativa preliminar, os impactos indenizatórios poderiam alcançar R$ 120 bilhões”, disse Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ​ANJL.

Fonte: uol