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O governo federal anunciou (12) que não cobrará imposto sobre o diesel após salto do petróleo. Foto: Reprodução/agência senado

Governo isenta imposto sobre o diesel após salto do petróleo

Para tentar conter os efeitos da alta do petróleo no mercado internacional, o governo anunciou a redução a zero do imposto sobre o diesel e adotou outras medidas econômicas para evitar aumento no preço do combustível ao consumidor

Diante da guerra no Oriente Médio e da escalada no preço do petróleo, com a possibilidade de desabastecimento de óleo diesel no país, o governo federal anunciou (12) que não cobrará imposto sobre esse combustível.

Também foi anunciado:

  • aumento do imposto de exportação sobre o petróleo;
  • subvenção (incentivo) aos produtores e importadores de diesel;
  • além de ações para fiscalizar o repasse do custo das medidas ao consumidor.

Todavia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a medida durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.

“Essa coletiva é uma reparação para o que acontece no Brasil e no mundo, muito causado pela irresponsabilidade das guerras no mundo. O preço do petróleo está fugindo ao controle; isso significa aumento de combustível, e nos EUA já subiu 20%”, disse Lula em conversa com jornalistas.

“Estamos fazendo uma engenharia econômica para evitar que os efeitos da irresponsabilidade das guerras cheguem ao povo. Vamos fazer tudo o que for possível”, prosseguiu.

Além do ministro da Fazenda, os ministros Rui Costa, da Casa Civil; Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; e Alexandre Silveira, de Minas e Energia, participaram da coletiva e deram declarações.

Impostos zerados sobre o diesel

Segundo o Planalto, um dos decretos assinados pelo presidente zera as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para importação e comercialização do diesel.

Isso representa, ainda segundo o governo, uma redução de R$ 0,32 dos tributos PIS e Cofins. Outros R$ 0,32 vem da subvenção. Dessa forma, o governo espera um impacto de R$ 0,64 por litro.

De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o PIS, Pasep e a Cofins representam, juntos, cerca de 10,5% no valor do diesel comercializado.

Governo isenta imposto sobre o diesel após salto do petróleo

“A maior pressão vem do diesel, e não da gasolina. É com o diesel que estamos mais preocupados, pelo fato de afetar as cadeias produtivas de forma mais enfática. Escoamento da safra é feito por caminhões a diesel; o plantio é feito com maquinário que usa diesel”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Taxação de petróleo exportado e medidas de fiscalização

Outro ato do governo elevou o imposto de exportação sobre petróleo de zero para 12% a partir de (12). Informou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

“Os produtores que estão auferindo lucros extraordinários vão contribuir com imposto de exportação extraordinário, e consumidores não serão afetados”, disse Haddad.

Além disso, também foram assinadas medidas provisórias punindo o “armazenamento injustificado” e o “aumento abusivo do preço” dos combustíveis — que passarão a ser fiscalizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que os “abusos se tornaram recorrentes” no setor de combustíveis.

“A redução de preços demora muito para chegar na bomba; quando chega, chega só parcialmente. Ou, mesmo quando chega integralmente, chega semanas ou meses depois. Nesse intervalo, consumidor paga muito mais do que deveria. E o contrário é verdadeiro: Petrobras não subiu preço e já tem aumentos nos postos”, declarou Rui Costa.

Ademais, as medidas foram publicadas após a coletiva de imprensa em edição extra no Diário Oficial da União (DOU).

O governo informou que uma equipe se reuniu na tarde (12) com representantes de distribuidoras para cobrar que as medidas anunciadas sejam repassadas ao consumidor.

Contudo, antes do anúncio, governo avaliava alternativas para reduzir os impactos da volatilidade sobre o combustível, considerado estratégico para o transporte de cargas e para a inflação.

A preocupação no Planalto é a de evitar repasses bruscos ao consumidor e ao setor produtivo, que podem pressionar os custos logísticos e afetar os preços de alimentos e outros produtos.

Sem impacto fiscal

De acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o governo deixará de arrecadar R$ 20 bilhões neste ano com a zeragem do PIS e Cofins sobre o óleo diesel, e, também, outros R$ R$ 10 bilhões com as subvenções (estímulos) à produção e importação do combustível.

Por outro lado, acrescentou ele, a expectativa é de arrecadar outros R$ 30 bilhões com a exportação de petróleo neste ano — se a guerra perdurar todo este tempo, considerando uma alíquota de 12%.

A ideia, segundo ele, é que os efeitos fiscais das medidas se anulem, sem impacto no orçamento de 2026.  O governo busca, neste ano, atingir um superávit em suas contas (considerando o intervalo da regra fiscal e abatimento de precatórios).

As subvenções concedem benefícios às empresas com o objetivo de atrair investimentos ou reduzir custos de produção.  Na prática, esses incentivos podem incluir descontos, isenções ou reduções de imposto. Dessa forma, funcionando como um tipo de apoio financeiro indireto.

Reunião com distribuidoras

Após o anúncio, uma equipe do governo se reuniu com representantes de distribuidoras para tratar das medidas anunciadas. Procuradas pela reportagem, a Ipiranga e a Raízen disseram que não vão se manifestar sobre o encontro.

Guerra no Irã

O conflito no Oriente Médio se instalou após ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos em território iraniano, com o objetivo declarado de neutralizar o programa nuclear do país.

A notícia da morte de lideranças centrais do regime em Teerã, incluindo Ali Khamenei, revelou imediatamente a magnitude da operação. O que, contudo, desencadeou retaliações iranianas com mísseis contra bases americanas e infraestruturas em países aliados na região.

Essa instabilidade militar atingiu em cheio o Estreito de Ormuz. Uma das principais vias do comércio energético mundial, por onde transita cerca de um quarto do petróleo global.

Com a paralisação do fluxo de petroleiros e a ameaça constante de novos ataques, o mercado de energia entrou em um estado de tensão. Sobretudo, com oscilações no preço do petróleo.

Fonte: g1