Com foco em supercomputação, governo anuncia aporte bilionário em IA, envolvendo tecnologias da China e dos EUA
O governo brasileiro anunciou (20) investimentos de cerca de R$2,3 bilhões para fortalecer seu ecossistema de infraestrutura para inteligência artificial (IA), dividindo projetos entre empresas dos EUA e da China, em um movimento que ressalta a tentativa de equilibrar relações com as duas potências.
Pouco mais da metade do total, R$1,3 bilhão, financiará um projeto de infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro. Desenvolvido em parceria com as chinesas Huawei e iFlytek.
Segundo o governo, o Brasil usará a estrutura principalmente para desenvolver modelos de linguagem de uso geral e aplicações setoriais.
Separadamente, o governo destinará cerca de R$ 1 bilhão a um edital para um supercomputador que o Brasil espera colocar entre as dez máquinas mais poderosas do mundo para processar inteligência artificial.
O governo instalará o equipamento no Rio Grande do Norte, escolhido por seu forte potencial energético. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do anúncio do investimento no Estado.
Integrantes do governo, sob condição de anonimato, disseram esperar que a fabricante norte-americana de chips Nvidia vença a disputa. Depois que a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo na semana passada que previa a empresa como fornecedora.
Governo busca reduzir dependência tecnológica e ampliar soberania sobre dados
“A estratégia não é depender de uma única empresa, tecnologia ou país”, afirmou o governo federal em nota, acrescentando que os investimentos buscam fortalecer a soberania nacional sobre dados gerados por serviços públicos e privados brasileiros.
Protagonista global na corrida da inteligência artificial, a China tem ampliado sua presença como principal parceira comercial do Brasil. Já os Estados Unidos seguem como a maior fonte de investimento direto estrangeiro no país. Apesar de terem perdido participação no comércio e de terem imposto recentemente tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
Os investimentos terão financiamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que fará os desembolsos de forma parcelada.
O governo espera que o supercomputador entre em operação até o final do próximo ano. E que, além disso, a infraestrutura de supercomputação, em cooperação com as empresas chinesas, opere a partir de julho.
Lula tem defendido reiteradamente a autonomia estratégica em relação às grandes potências. E enfrenta uma campanha presidencial de reeleição na qual seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), promete ampliar a aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Caso seja eleito.
Por fim, o governo também anunciou ontem (20) uma parceria com a Espanha, baseada na arquitetura aberta RISC-V, para desenvolver chips. Além disso, o governo planeja criar um serviço brasileiro de computação em nuvem por meio de parcerias público-privadas e um centro nacional de transparência algorítmica e IA confiável. Que o Centro de Pesquisa Aplicada em IA da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai operar.
Fonte: terra







