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O governo regulamentou as regras de salvaguardas em acordos comerciais, e a medida protege a indústria brasileira em caso de excesso de importações. Foto: Divulgação/Porto de Santos

Governo regulamenta regras de salvaguardas em acordos comerciais

Governo define regras de salvaguardas para proteger a indústria e o setor agrícola em acordos comerciais

No mesmo dia em que o Congresso Nacional concluiu a internalização do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que cria uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, o governo federal publicou um decreto que regulamenta as regras de aplicação de salvaguardas para produtores nacionais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto, publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) (4), que estabelece que o governo poderá aplicar medidas de salvaguardas bilaterais quando as importações de um produto sujeito a condições preferenciais. Em decorrência de um acordo, aumentarem em quantidade e em condições capazes de causar ou ameaçar causar prejuízo grave à indústria doméstica.

O governo pode adotar as medidas para proteger tanto o setor industrial quanto o agrícola.

Segundo o governo, a adoção de uma salvaguarda pode, por exemplo, levar à suspensão temporária do cronograma de desconto tarifário negociado ou ao restabelecimento da tarifa aplicada antes da vigência de um acordo comercial.

O governo também poderá instituir uma cota tarifária, definindo um volume de importações até o qual as mercadorias continuam a usufruir das preferências pactuadas. Ultrapassado esse limite, os produtos passam a estar sujeitos à suspensão do cronograma de desgravação tarifária ou ao restabelecimento das tarifas anteriormente aplicadas.

Investigação e aplicação das medidas

Ainda segundo o decreto, caberá à Câmara de Comércio Exterior (Camex) adotar medidas de salvaguarda, após investigação conduzida pelo Departamento de Defesa Comercial da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC (Decom/Secex).

A indústria doméstica poderá solicitar investigação de salvaguardas bilaterais e, em circunstâncias excepcionais, a Secex também fica autorizada a abrir investigações de ofício.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin já havia anunciado o mecanismo na semana passada. Atendendo a uma demanda especialmente do setor agrícola brasileiro.

Isso porque, no final do ano passado, o Parlamento Europeu aprovou regras mais rígidas para importações agrícolas vinculadas ao acordo com o Mercosul. Cujas medidas seriam acionadas se importações em grande volume causarem ou ameaçarem prejuízo grave aos produtores europeus.

Por fim, o setor do agronegócio nacional quer que o governo brasileiro também assuma essas salvaguardas, caso aumentem as importações de produtos europeus concorrentes.

Fonte: agência brasil