Segundo o Banco Central, gastos de estrangeiros em viagens ao Brasil, atingiram US$ 7,86 bilhões em 2025
Gastos de estrangeiros em viagens ao Brasil atingiram US$ 7,86 bilhões em 2025, segundo dados divulgados pelo BC (Banco Central). O recorde de turistas e a maior desvalorização do dólar ante o real desde 2016 impulsionaram o maior volume de entrada de divisas desde o início da série histórica em 1994, ano de criação do Plano Real.
O que aconteceu
Turistas trazem maior volume de dinheiro da história ao Brasil. Conforme as estatísticas do setor externo apresentadas hoje pelo BC, os viajantes internacionais gastaram US$ 7,86 bilhões no território nacional ao longo do ano passado. O recorde de toda a série histórica do indicador é 7,14% maior do que o apurado em 2024 (US$ 7,34 bilhões), ano que marcava o recorde anterior.
Brasil voltou ao radar como destino turístico internacional
Palco de grandes eventos, a exemplo da COP30 (Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas), o Brasil entrou novamente na rota dos viajantes. “O turismo internacional deixou finalmente de ser um freio e passou a ser um vetor relevante de entrada de dólares na conta de serviços do país”, afirma Marcos Piellusch, professor da FIA Business School.
O recorde de turistas internacionais impulsiona o desempenho. No ano passado, 9,29 milhões de turistas estrangeiros desembarcaram no Brasil, segundo a ONU Turismo. O total de desembarques é 37,1% maior do que o registrado em 2024, quando 6,7 milhões de visitantes internacionais tiveram o Brasil como destino.
Gastos dos brasileiros no exterior atingiram maior nível em 17 anos
O resultado teve origem na saída de US$ 21,7 bilhões em função de viagens internacionais no ano passado. O total é 10,39% maior do que o contabilizado em 2024 (US$ 19,67 bilhões). Contudo, na comparação histórica, o volume de gastos no exterior foi o maior desde 2008 (US$ 25,7 bilhões).
Brasileiros voltaram a viajar para o exterior após período adverso. Dessa forma, o aumento da renda e a desvalorização estimularam novamente os investidores a direcionarem seus olhares para o exterior, promovendo a recuperação dos aportes verificada desde 2024. “Após um longo período de consumo contido, marcado por pandemia, inflação elevada e juros altos, parte das famílias de renda média e alta voltou a priorizar viagens internacionais como consumo aspiracional”, analisa Piellusch.
Queda do dólar em relação ao real contribuiu para os resultados. A desvalorização de 11,2% da moeda norte-americana foi a maior registrada desde 2016 e ajudou com os gastos lá fora. “O câmbio é central para incentivar a demanda por viagens dos brasileiros para o exterior e elemento importante na explicação do aumento delas, já que uma mesma viagem pode ser realizada com menos reais”, afirma Pedro Garrido, conselheiro do Corecon-DF (Conselho Regional de Economia do Distrito Federal).
Saldo negativo das contas de viagens foi o maior desde 2008. Os especialistas afirmam que o déficit de US$ 13,85 bilhões não representa um problema macroeconômico a curto prazo. “Embora a saída líquida de dólares seja elevada, ela ocorre em um contexto de conta-corrente mais equilibrada e reservas internacionais robustas, o que reduz riscos para o câmbio e para a estabilidade financeira”, diz Piellusch.
Saídas maiores do que entradas precisam ser compensadas
Garrido avalia que é preciso compensar a manutenção do déficit em transações correntes. Formado, contudo, pela combinação entre viagens, balança comercial e a conta de rendas enviadas e recebidas, para evitar problemas futuros.
“Um balanço de pagamentos desequilibrado ao longo do tempo reduz a taxa de crescimento que a economia pode ter no longo prazo, prejudicando o desenvolvimento”, afirma ele.
O déficit em viagens chama atenção pelos números recordes, mas não altera o diagnóstico de solidez externa da economia brasileira.
Marcos Piellusch
Fonte: uol



