Dourados registra cinco mortes por chikungunya
Dourados vive uma crise de saúde sem precedentes com o avanço da chikungunya, que já causou cinco mortes confirmadas entre indígenas e mantém duas fatalidades sob investigação. A epidemia segue em expansão, com aumento expressivo de casos e pressão sobre a rede de saúde da cidade.
Segundo boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sems) neste domingo (5), o município registra 3.671 notificações da doença em 2026: 2.733 casos prováveis, 1.365 confirmados, 469 descartados e 1.837 ainda em investigação. Entre as mortes em apuração estão um adolescente de 12 anos e um homem de 55 anos, ambos sem comorbidades, ocorridas em 3 de abril.
A população indígena concentra a maior parte dos casos, o que indica risco maior nesse grupo. Nas aldeias, já foram registrados 1.996 notificações, sendo que 1.115 foram confirmadas. Além disso, ocorreram 227 atendimentos hospitalares, reforçando a gravidade do quadro local. A taxa de positividade chega a 74,42%, o que mostra que a maioria das pessoas testadas apresenta diagnóstico positivo.
Gravidade
Diante da gravidade, o Ministério da Saúde implementou uma força‑tarefa nas aldeias. Para tanto, houve o envio de 50 novos agentes de combate às endemias, reforçando a atuação local. Os primeiros 20 iniciaram os trabalhos (4), voltados às ações de campo. Os outros 30 começam nesta segunda‑feira (6), ampliando ainda mais a cobertura das atividades.
Paralelamente, o governo federal inicia a distribuição de 2 mil cestas básicas. Além disso, há meta de entregar 6 mil unidades até junho, como parte do apoio alimentar. A ação é conjunta, envolvendo Funai, Defesa Civil, Conab e o Ministério do Desenvolvimento Social.
A Sesai (Secretaria de Saúde Indígena) anunciou ainda que, a partir de maio, 102 novos profissionais integrarão o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) para reforçar permanentemente o atendimento.
A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e provoca sintomas como febre alta, dores articulares intensas, que podem persistir por semanas ou até anos, e complicações graves que afetam coração, rins e sistema nervoso. Em casos severos, há necessidade de internação e risco de morte.
A epidemia já impacta a rede de saúde da cidade. Dessa forma, a média diária de atendimentos na UPA passou de 302 para 448,7 nos últimos 15 dias. Atualmente, 35 pacientes estão internados com suspeita ou confirmação da doença. Além disso, esses casos estão distribuídos em hospitais da cidade, como Hospital Porta da Esperança, Hospital Universitário da UFGD e Hospital Regional.
Por fim, a Secretaria reforça a necessidade de atenção redobrada da população. Em especial, destaca a importância de cuidados nos territórios indígenas. Orienta, ainda, que as pessoas procurem atendimento médico ao apresentar sintomas. Adicionalmente, recomenda medidas de prevenção, como eliminação de criadouros do mosquito transmissor. Por fim, acrescenta que o uso de repelentes também contribui para reduzir o risco de contaminação.
Fonte: PM Dourados




