Copom inicia reunião nesta terça-feira para definir novo patamar da Selic; mercado projeta novo corte
Diante de conflitos globais e pressões inflacionárias, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central começa a discutir nesta terça-feira (16), em reunião, o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic. A expectativa do mercado financeiro é de que o comitê realize um novo corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa para 14,25% ao ano. Caso se confirme, esta será a terceira redução consecutiva.
Atualmente, a taxa Selic está fixada em 14,50% ao ano. Entre o final de 2024 e fevereiro deste ano, o índice sofreu sete elevações consecutivas, chegando a 15% ao ano, o maior nível desde 2006.
Segundo projeções do boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, a expectativa predominante é de uma nova redução de 0,25 ponto percentual nesta reunião.
A nova taxa valerá ao menos pelos próximos 45 dias, quando os diretores do BC voltarem a se reunir para discutir novamente a conjuntura econômica nacional.
Embora o corte agora seja esperado, o economista Hugo Garbe acredita que, dada a pressão inflacionária, esta pode ser a última redução do ano. “Eu acredito que segurar a taxa de juros enquanto a inflação não cede é a decisão adequada”, diz.
Na mesma linha, o economista Augusto Mergulhão entende que, apesar de um possível novo corte, o BC deve adotar uma postura mais cautelosa.
BC deve agir com cautela após possível corte da Selic
“Acredito que haverá a redução, mas o Banco Central deve trabalhar com cautela até o fim do ano, com uma possível suspensão do ciclo, uma vez que as expectativas de inflação subiram. O mercado, no início de junho, ficou movimentado, precificando uma alta da Selic. Apesar disso, o [petróleo] Brent caiu com o acordo de paz do Irã, o que pode trazer um fôlego. Ainda temos eleição. Então acredito que o cenário vai ser de muita cautela até o fim do ano”, aponta.
Além do cenário doméstico e conflitos internacionais, o Fed (Federal Reserve), o banco central dos EUA, terá a primeira reunião para decidir a taxa de juros do país sob o comando de Kevin Warsh. O novo presidente assumiu o lugar de Jerome Powell, que vinha enfrentando embates com Donald Trump.
Um possível aumento nos juros norte-americanos geraria, consequentemente, uma pressão nos juros do Brasil.
Assim como Mergulhão, o economista Benito Salomão acredita que o BC deve cumprir a sinalização da última ata e realizar um novo corte. No entanto, como a inflação extrapolou o teto da meta, ele prevê uma mudança de tom no comunicado do Copom.
“Deve paralisar, ao menos temporariamente, o ciclo de juros. Acredito em um corte para essa próxima reunião de 0,25 ponto percentual, acompanhado de um comunicado em que o Banco Central suspende os próximos cortes”, pontuou.
O que é a Selic?
A Selic representa o principal instrumento de controle do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Taxas elevadas encarecem o crédito, limitam o consumo e a produção, podendo desacelerar o crescimento econômico.
Na prática, elevações na Selic aumentam os juros aplicados a financiamentos, empréstimos e cartões de crédito, desestimulando a demanda e contribuindo para a contenção da inflação.
Maior nível em 20 anos
Entre agosto de 2022 e junho de 2023, a Selic permaneceu em 13,75% ao ano. Em seguida, ocorreram seis cortes consecutivos de 0,5 ponto percentual e outro de 0,25, reduzindo a taxa para 10,5% em maio de 2024.
Esse patamar vigorou até setembro do mesmo ano, quando o Copom iniciou uma nova série de elevações, levando os juros para 10,75%.
Até fevereiro deste ano, houve sete aumentos sucessivos, até atingir 15% — o nível mais elevado desde 2006.
Em março, o Copom decidiu reduzir em 0,25 ponto percentual, fixando a taxa em 14,75%. Na reunião mais recente, em 29 de abril, o Copom repetiu o corte, chegando ao patamar atual de 14,50% ao ano.
Fonte: r7








