Com juros elevados e incertezas políticas, a confiança da indústria no Brasil registra em agosto o seu pior desempenho em doze meses
A confiança da indústria no Brasil registrou em agosto a maior queda em um ano diante do arrefecimento da demanda e novo acúmulo de estoques, informou ontem (27) a FGV (Fundação Getulio Vargas).
O ICI (Índice de Confiança da Indústria) caiu 3,5 pontos em agosto na comparação com o mês anterior, para 93,7 pontos. De acordo com os dados da FGV.
“Setores relacionados a bens de capital e de consumo duráveis mantêm alguma resiliência devido a políticas setoriais, mas seguem sensíveis à política monetária”, disse Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE.
Índice de situação atual recua
O ISA (Índice de Situação Atual), que mede o sentimento dos empresários sobre o momento presente do setor industrial, teve queda de 5,0 pontos e foi a 94,9 pontos. Menor patamar desde dezembro de 2025, segundo a FGV.
Por outro lado, o IE (Índice de Expectativas), indicador da percepção sobre os próximos meses, recuou 2,0 pontos, para 92,6 pontos. Registrando o menor nível desde novembro de 2025.
Expectativas para a atividade econômica
“Em relação ao futuro, o resultado reflete uma perspectiva geral de desaceleração da atividade econômica e possíveis aumentos da incerteza com a intensificação dos debates sobre as eleições”, explicou Pancini.
O economista também mencionou que, apesar da estabilidade do mercado de trabalho e das políticas de estímulo setoriais, o cenário macro segue dividido. Com juros elevados e pressão inflacionária, fatores determinantes para uma desaceleração da confiança.
Cenário exige cautela da indústria
Por fim, a piora do indicador sinaliza um ambiente mais desafiador para as empresas. Que podem adotar maior cautela nas decisões de produção e investimento nos próximos meses. O comportamento da demanda deve continuar no radar da indústria, especialmente diante das incertezas que marcam o cenário econômico.
Fonte: cnn





