Cerimônia de posse de Abelardo De La Espriella marca nova fase política na Colômbia sob forte esquema de segurança em Cali
Nesta sexta-feira (7), Abelardo De La Espriella, de extrema direita, filiado ao partido Defensores de La Patria, tomará posse como novo presidente da Colômbia, em uma cerimônia marcada por disputas com a oposição e embates institucionais. Pela primeira vez na história do país, o chefe do Executivo não celebrará as honrarias na capital Bogotá.
O evento será realizado em Cali, capital do departamento de Valle del Cauca, no sul do país. A posse contará com um reforçado aparato de segurança: portanto, mais de 11 mil agentes foram deslocados para a cidade, entre militares e policiais.
Mas, se não fosse o estrondo dos caças que cruzavam o céu da zona norte de Cali na tarde (6), a presença das forças de segurança passaria quase despercebida nos dias que antecedem a posse, exceto em pontos estratégicos, como as imediações do Aeroporto Internacional Alfonso Bonilla Aragón e nos locais onde estão as delegações internacionais.
“Esses policiais não costumavam ficar aqui. Isso é novo”, observou o motorista de táxi Luís Eduardo ao cruzar uma barreira policial, onde agentes empunhavam fuzis, em frente ao Hotel Intercontinental.
Representantes israelenses e presidentes de direita presentes
Entre as delegações que circulavam pelo Hotel Intercontinental (6) estava a israelense. Gustavo Petro expulsou o corpo diplomático do país da Colômbia em 2025, um ano após o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países, na esteira dos ataques israelenses contra a Palestina.
Outra presença confirmada é a dos Estados Unidos, que, no ano passado, protagonizou embates com o governo Petro. Apoiador abertamente declarado de Abelardo De La Espriella, Donald Trump enviou Todd Blanche, procurador-geral interino, como principal representante da delegação norte-americana.
A posse também contará com a presença de governantes de direita e de extrema direita da região, em um encontro que evidencia o avanço desse campo político na América Latina e reforça a articulação entre seus principais líderes. Javier Milei, da Argentina, Daniel Noboa, do Equador, Santiago Peña, do Paraguai; José Antonio Kast, do Chile, e Nasry Asfura, de Honduras, são alguns dos chefes de Estado que marcarão presença na cerimônia.
Brasil participa de cerimônia de retomada diplomática
Inicialmente, o presidente eleito pretendia tomar posse em uma base militar no departamento de Cauca, também no sul do país. Mas seu antecessor, Gustavo Petro, comandante em chefe das Forças Armadas até a conclusão da transição de governo, proibiu os militares de realizar a cerimônia. Além disso, De La Espriella enfrentava resistência no Congresso. Que poderia rejeitar sua solicitação e impor a primeira derrota ao governo antes mesmo de sua posse.
O presidente eleito, então, recuou e transferiu a cerimônia para Cali. A posse será realizada na Universidade Santiago, um espaço civil. Oficialmente, De La Espriella, que governará até 2030, afirma que a decisão de retirar o evento de Bogotá simboliza seu projeto de descentralização do poder na Colômbia.
Analistas consultados pela RFI, no entanto, avaliam que a escolha de Cali representa uma tentativa de demonstração de força do novo presidente e, em certa medida, uma provocação. A cidade foi o epicentro da onda de protestos de 2021, que abriu caminho para a vitória de Gustavo Petro no ano seguinte. Conquistando o posto de primeiro dirigente de esquerda da história do país. Além disso, no departamento de Valle del Cauca, o candidato governista Iván Cepeda derrotou De La Espriella com ampla vantagem.
Protestos marcados em Cali
Se, nos dias que antecedem a posse, Cali vive um clima de certa tranquilidade, o mesmo não deve ocorrer nesta sexta-feira, data da cerimônia presidencial. Além da imposição de uma lei seca e de restrições severas à circulação de veículos, os opositores prometem ir às ruas para protestar contra o novo presidente.
Há pelo menos duas manifestações marcadas. Uma delas, na parte da manhã, conta com o apoio de organizações sindicais e do próprio Ivan Cepeda, candidato derrotado. Por outro lado, também está prevista uma concentração nos arredores da Universidad Santiago de Cali, onde, às 15h no horário local (17h de Brasília), terá início a cerimônia de posse do novo chefe de Estado colombiano. No local, o aparato de segurança já foi reforçado.
Por fim, os protestos refletem a polarização que marca o país após a eleição presidencial. De La Espriella assumirá uma Colômbia dividida. No segundo turno, venceu por uma margem apertada: pouco mais de 250 mil votos o separaram do adversário Iván Cepeda, do Pacto Histórico. O agora ex-presidente Gustavo Petro questiona o resultado das urnas e afirma que houve fraude eleitoral.
Fonte: terra





