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A Câmara dos Deputados aprovou (22) um novo projeto de lei para o mercado de ouro. A proposta, que altera as regras para o transporte e comércio de ouro garimpado, seguirá ao Senado Federal. Foto: Reprodução

Câmara aprova novo marco legal para o mercado de ouro no Brasil

Câmara aprova projeto de lei que endurece fiscalização e cria sistema de rastreabilidade para o mercado de ouro no Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei sobre o mercado de ouro no Brasil (22). O texto, de autoria do Poder Executivo (PL 3025/23), foi ratificado na forma de um substitutivo apresentado pelo deputado Marx Beltrão (PP-AL). A proposta, que altera as regras para o transporte e comércio de ouro garimpado, será enviada ao Senado Federal.

O texto revoga dispositivos da Lei 12.844/13 que permitiam a venda de ouro extraído por garimpeiros diretamente a cooperativas, associações ou pessoas físicas. As distribuidoras de títulos e valores mobiliários (DTVMs) autorizadas pelo Banco Central realizarão, a partir de agora, todas as transações. O sistema considerará o ouro como ativo financeiro ou instrumento cambial até a primeira venda nessas instituições.

A nova legislação institui um sistema de rastreabilidade do ouro, gerenciado exclusivamente pela Casa da Moeda do Brasil (CMB), incluindo marcação física inequívoca e segura do metal, além do registro de todas as transações na cadeia produtiva. Órgãos de controle aplicarão a marcação com dispositivos de segurança para verificar a autenticidade. Todavia, pessoas físicas e jurídicas envolvidas em atividades de extração, tratamento, refino, beneficiamento, depósito, custódia, transporte e comércio de ouro deverão utilizar o sistema.

Descubra como o sistema será custeado

A Taxa de Registro das Transações e de Marcação Física do Ouro (Touro) custeará o sistema, cobrando R$ 2,00 pela emissão da Guia de Transporte e Custódia de Ouro e R$ 5,00 por grama de ouro pela marcação física.

Os valores serão reajustados anualmente pelo IPCA e destinados à CMB.

As instituições financeiras autorizadas deverão registrar detalhes das compras, como posto de atendimento, região aurífera produtora, número da permissão de lavra garimpeira, massa de ouro e dados do vendedor. O pagamento será em reais, creditado em conta de depósito ou pagamento. Por outro lado, notas fiscais eletrônicas vinculadas à Receita Federal serão obrigatórias.

No transporte, o ouro deve permanecer dentro da circunscrição da região aurífera produtora até a primeira compra, com emissão de guia específica contendo dados sobre origem, licenças e período máximo de 30 dias. Caso contrário, a ausência de documentação adequada resultará em apreensão, perdimento administrativo na Receita Federal e multas, além de responsabilização cível e criminal.

O projeto responde a uma decisão de 2023 do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu dispositivo da lei anterior presumindo boa-fé na origem do ouro com base apenas na declaração do vendedor. Ademais, o STF determinou ao Executivo a adoção de novo marco regulatório para fiscalizar o comércio, diante do aumento do garimpo ilegal em terras indígenas e unidades de conservação. Dados da Polícia Federal indicam 1.527 inquéritos entre 2021 e 2022 sobre o tema.

Regras de compliance e prevenção de crimes no setor

As DTVMs devem manter estruturas de gerenciamento de riscos para verificar a legalidade da origem do ouro e prevenir lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. Sendo assim, elas devem reportar irregularidades à ANM, à Receita Federal e às delegacias. Pessoas com condenações por crimes específicos ou envolvidas em processos minerários não poderão ocupar cargos estratégicos nessas instituições.

Durante os debates, o relator Marx Beltrão destacou que as medidas aumentam a efetividade na fiscalização. Combatendo, contudo, lavagem de dinheiro, ‘esquentamento’ de ouro ilegal, desmatamento e crime organizado. O deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE) apoiou, enfatizando a redução de fraudes e impactos em comunidades indígenas.

Em conclusão, críticas vieram do deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), que alertou para possível formação de cartel ao limitar compras a DTVMs, citando problemas no Pará. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) questionou a exclusividade da CMB no sistema de rastreabilidade, sugerindo licitação. Já Gilson Marques (Novo-SC) criticou a burocratização imposta pela marcação física e digital.

Fonte: jbr