Câmara aprova projeto de lei que endurece fiscalização e cria sistema de rastreabilidade para o mercado de ouro no Brasil
A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei sobre o mercado de ouro no Brasil (22). O texto, de autoria do Poder Executivo (PL 3025/23), foi ratificado na forma de um substitutivo apresentado pelo deputado Marx Beltrão (PP-AL). A proposta, que altera as regras para o transporte e comércio de ouro garimpado, será enviada ao Senado Federal.
O texto revoga dispositivos da Lei 12.844/13 que permitiam a venda de ouro extraído por garimpeiros diretamente a cooperativas, associações ou pessoas físicas. As distribuidoras de títulos e valores mobiliários (DTVMs) autorizadas pelo Banco Central realizarão, a partir de agora, todas as transações. O sistema considerará o ouro como ativo financeiro ou instrumento cambial até a primeira venda nessas instituições.
Descubra como o sistema será custeado
As instituições financeiras autorizadas deverão registrar detalhes das compras, como posto de atendimento, região aurífera produtora, número da permissão de lavra garimpeira, massa de ouro e dados do vendedor. O pagamento será em reais, creditado em conta de depósito ou pagamento. Por outro lado, notas fiscais eletrônicas vinculadas à Receita Federal serão obrigatórias.
No transporte, o ouro deve permanecer dentro da circunscrição da região aurífera produtora até a primeira compra, com emissão de guia específica contendo dados sobre origem, licenças e período máximo de 30 dias. Caso contrário, a ausência de documentação adequada resultará em apreensão, perdimento administrativo na Receita Federal e multas, além de responsabilização cível e criminal.
Regras de compliance e prevenção de crimes no setor
Durante os debates, o relator Marx Beltrão destacou que as medidas aumentam a efetividade na fiscalização. Combatendo, contudo, lavagem de dinheiro, ‘esquentamento’ de ouro ilegal, desmatamento e crime organizado. O deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE) apoiou, enfatizando a redução de fraudes e impactos em comunidades indígenas.
Em conclusão, críticas vieram do deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), que alertou para possível formação de cartel ao limitar compras a DTVMs, citando problemas no Pará. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) questionou a exclusividade da CMB no sistema de rastreabilidade, sugerindo licitação. Já Gilson Marques (Novo-SC) criticou a burocratização imposta pela marcação física e digital.
Fonte: jbr





