Casal é preso e bebê de Campo Grande é encontrada no Paraguai com apoio internacional
A bebê recém-nascida Ayla Emanuelly, de menos de um mês, desapareceu em Campo Grande (6) e foi encontrada com vida em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, na madrugada (9). A criança foi repatriada e está sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã (MS).
A polícia prendeu em flagrante Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa, que estavam com a bebê, e deve transferi-los para Campo Grande nesta segunda-feira (10). O rastreamento dos celulares dos suspeitos foi fundamental para localizar a menina. O g1 não encontrou as defesas dos suspeitos.
Uma equipe da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) acompanha o caso. Segundo o Conselho Tutelar de Ponta Porã, Ayla está bem, saudável e em segurança. A família, que mora em Campo Grande, deverá receber atendimento psicossocial da rede de proteção.
A investigação começou após a mãe da bebê, de 17 anos, relatar que uma mulher conhecida em um grupo de venda de roupas infantis a atraiu para uma casa em Campo Grande com a promessa de pagar R$ 100 para ela cuidar da filha. No local, segundo o relato, a mulher a ameaçou e a obrigou a entregar a bebê. Depois, os suspeitos levaram a criança para o Paraguai, onde os investigadores a localizaram em uma casa em Pedro Juan Caballero após cruzarem dados e contarem com a cooperação das forças de segurança paraguaias.
AYLA: Bebê recém-nascida desaparecida em Campo Grande é encontrada no Paraguai — Como o crime aconteceu?
Segundo o relato da mãe à Polícia Militar, ela conheceu uma mulher por meio de um grupo de venda de roupas para crianças. Depois de conversarem, a mulher teria oferecido R$ 100 para que a adolescente cuidasse da filha dela.
A mãe de Ayla aceitou a proposta e foi até o endereço indicado, no Bairro Universitário (6). Ela estava acompanhada da irmã, de 12 anos, e da bebê.
Segundo o depoimento, a mulher recebeu as três e ofereceu água a elas. A adolescente afirmou que não dormiu após beber, mas a irmã adormeceu e só acordou por volta das 20h.
Ainda conforme o relato, a mãe de Ayla afirmou que os suspeitos a ameaçaram e a obrigaram a entregar a filha. Ela contou que ouviu que, caso se recusasse, os suspeitos jogariam ela e a irmã em um buraco.
Os suspeitos levaram a bebê e o celular da mãe do imóvel. As duas irmãs deixaram o local por volta de 1h da madrugada (7). Segundo a adolescente, cerca de 10 homens e a mulher que havia feito a proposta estavam na casa.
Como a polícia chegou até a bebê?
Depois do registro do desaparecimento, a Depca iniciou as investigações para identificar quem levou Ayla e descobrir onde a manteve.
O Ministério da Justiça emitiu (7), o alerta “Amber Alert Brasil” para ajudar a localizar Ayla. Essa foi a primeira vez que Mato Grosso do Sul utilizou a ferramenta.
O que é o Amber Alert Brasil?
O sistema amplia a divulgação de casos de desaparecimento de crianças quando há suspeita de rapto ou sequestro. As autoridades compartilham as informações para aumentar as chances de localizar as vítimas.
Os dois suspeitos foram presos em flagrante com a criança ontem (9). O G1 não conseguiu localizar a defesa dos suspeitos.
Para chegar aos suspeitos, os investigadores fizeram levantamentos, cruzaram informações e realizaram diligências. Durante as apurações, os investigadores encontraram indícios de que levaram a criança para o Paraguai. O rastreamento dos celulares dos suspeitos foi fundamental para encontrar a criança.
A Depca acionou a Polícia Civil de Ponta Porã, que compartilhou as informações com as autoridades paraguaias por meio da cooperação entre as forças dos dois países. O Comando Bipartito, grupo que reúne policiais brasileiros e paraguaios, passou a atuar no caso, junto com equipes especializadas do Paraguai.
A partir das informações levantadas pela polícia brasileira, as autoridades paraguaias conseguiram identificar o imóvel onde havia suspeita de que Ayla estivesse.
Como a bebê foi encontrada?
Por volta de 1h15 deste domingo, equipes do Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, com apoio do Grupo Antissequestro (DAS), da Direção de Polícia do Amambay e de operadores táticos, cumpriram um mandado de busca em uma residência.
A polícia encontrou Ayla no imóvel na companhia de um casal de brasileiros. Os policiais também apreenderam celulares, documentos e um veículo, que a polícia vai analisar durante a investigação.
Depois de ser localizada, a bebê foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero para receber atendimento. Em seguida, foi repatriada e entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã, onde permanece até o momento.
Onde estão os suspeitos?
O casal que estava com Ayla também permanece em Ponta Porã. A polícia prendeu os dois em flagrante, e eles seguem sob custódia.
A polícia deve levar os dois para Campo Grande nesta segunda-feira (10). Uma equipe da Depca foi até Ponta Porã para acompanhar os procedimentos. Como a delegacia especializada conduz o caso, os investigadores deverão ouvir os envolvidos em Campo Grande.
Antes de a polícia localizar Ayla no Paraguai, prendeu, em Campo Grande (8), um homem suspeito de envolvimento no caso. Segundo a polícia, ele teria emprestado a casa onde levaram a bebê e que teria servido como cativeiro. A Justiça decretou (9) prisão preventiva dele durante audiência de custódia.
A defesa, representada pelos advogados Renan Vieira e Dendry Rios, informou ao g1 que está tomando conhecimento dos detalhes do caso e que pretende demonstrar que o cliente não tem relação direta com os fatos atribuídos a ele.
Confira o que aconteceu com a família da bebê desaparecida em Campo Grande e encontrada no Paraguai
Ayla está sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã. A família deverá passar por atendimento da rede de proteção a partir desta segunda-feira. O objetivo é acompanhar a criança e os familiares após o sequestro e definir os próximos encaminhamentos.
Quem participou das buscas?
A Depca conduz a investigação com apoio do Garras, da Defurv e da Delegacia Regional de Ponta Porã.
No Paraguai, participaram das buscas o Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, o Grupo Antissequestro (DAS), a Direção de Polícia do Amambay e outras unidades da Polícia Nacional paraguaia.
A operação também contou com apoio de agentes do Consulado Americano em São Paulo.
O que ainda falta esclarecer?
A investigação ainda precisa reconstruir toda a dinâmica do sequestro, desde a abordagem da mãe até a chegada de Ayla ao Paraguai.
A polícia também busca descobrir quem planejou o crime, qual foi a participação de cada suspeito, quem ajudou a levar a bebê para fora do Brasil e se outras pessoas participaram da ação.
Os celulares, documentos e o veículo apreendidos no Paraguai deverão passar por análise e podem ajudar a polícia a responder a essas perguntas.
Por fim, a polícia também deve ouvir os suspeitos e outras pessoas ligadas ao caso para esclarecer como organizaram e executaram o sequestro.