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O velório em vida do advogado está previsto para acontecer em 30 de maio, em um espaço de festas em Campo Grande. Foto: Arquivo pessoal

Advogado de 47 anos com câncer terminal organiza próprio velório em vida em Campo Grande

Advogado organiza velório em vida em Campo Grande para celebrar sua trajetória, reunir amigos e transformar a despedida em um encontro marcado por afeto e memórias compartilhadas

“O que vai ficar é a vida que a gente teve compartilhada.” A frase é do advogado Tiago Pitthan, de 47 anos, que mora em Campo Grande (MS) e foi diagnosticado com câncer de intestino em metástase, e que decidiu fazer o próprio velório enquanto está vivo. O convite, publicado há alguns dias nas redes sociais, chamou atenção da sociedade que está acostumada a tratar a morte como tabu.

Segundo Tiago, em 2024 ele passou a conviver com dores intensas. Ao procurar ajuda médica para descobrir o que ocorria com ele, recebeu a notícia que muita gente teme: câncer de intestino.

“Quando eu fui diagnosticado com câncer, ao contrário do que as pessoas pensam ou passam, no meu caso específico foi um alívio, porque eu vinha há dois meses com problema estomacal, sem conseguir comer, perdendo peso e eu não sabia o que eu tinha. Quando eu descobri foi aquele alívio, agora eu sabia qual era o inimigo, agora eu sabia quem eu tinha que enfrentar”, contou.

Da luta à aceitação da condição

Como muitos pacientes, Tiago decidiu encarar o desafio de cabeça erguida, sem temer a doença que afeta milhares de pessoas todos os anos. Porém, ao passar por uma segunda cirurgia, ouviu dos médicos que o câncer havia entrado em metástase e que, a partir dali, o tratamento seria paliativo, para que ele pudesse ter qualidade de vida.

“O câncer era terminal, não tinha cura, quimio é só paliativa. Nesse momento eu pensei: ‘se eu vou descansar, se eu vou embora antes da hora, eu quero celebrar a minha vida’. Em 2024 eu perdi meu pai e o velório dele foi uma delícia. A gente conversando, os amigos rindo, contando a história dele, só faltou ele, só faltou ele ali conversando com a gente, rindo com a gente. E eu fiquei pensando nisso, meu velório tem que ser diferente. Eu quero celebrar a vida com os amigos”, afirmou.

Advogado de 47 anos com câncer terminal organiza próprio velório em vida em Campo Grande — A ideia de transformar a despedida em celebração

Ao decidir participar do próprio velório, Tiago contou que os amigos ficaram inicialmente assustados, achando a decisão um tanto quanto “pesada”. Entretanto, ao explicar a intenção do evento, tudo mudou entre aqueles que o querem por perto o maior tempo possível.

“A intenção é fazer uma coisa leve, gostosa, cheia de afeto, de carinho. A partir daí as pessoas foram entendendo, recebendo bem. A primeira vez que eu pensei seriamente sobre a morte foi quando eu perdi meu pai, em 2024. Mas, mesmo naquele momento, eu olhava para a vida que eu tive ao lado dele e falava: ‘cara, o que é a morte perto de todo esse resto?’ Tem uma música do Gil que fala ‘eu não tenho medo da morte, eu tenho medo de morrer’. Eu tenho um pouco de medo do processo, como vai ser, se eu vou sofrer, se vou ficar acamado. Da morte em si eu não tenho não. Eu tive uma vida muito boa.

Memórias, legado e reflexão sobre a vida

Eu vou deixar memórias, vou deixar lembranças. Acho que meu legado é esse, é essa alegria de viver, entender que a morte não chega aos pés do que é a vida”, pontuou.

Ao fim, o advogado lembra aos amigos e família que a festa é para ajudá-los a passar por esse processo que será inevitável para todos, mas talvez mais breve para ele

“Tem um paradoxo que é o seguinte: quanto mais as pessoas gostam de mim, mais elas vão sofrer com a minha ida. Então quanto mais felicidade elas têm ao meu lado, mais elas vão ficar tristes. Essa festa é para tirar um pouco disso, para as pessoas entenderem que tudo bem, é um sofrimento que vai passar, vai virar saudade. O que vai ficar mesmo é a vida que a gente teve compartilhada”, finalizou.

O “velório em vida” está previsto para ocorrer no dia 30 de maio, em um espaço de festas de Campo Grande. Tiago contou que familiares e amigos de diversas cidades do Brasil, inclusive de outros países, devem participar e celebrar o que há de melhor em vida.

Fontes: Portaldaprefeitura, lardimmsnews, PP