Para os testes, foram coletadas 14 amostras de células tumorais de pacientes do Setor de Neurocirurgia Oncológica da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Em três delas, a equipe analisou como as moléculas reagem isoladamente ao veneno. “Vimos que tumores com diferentes graus, ou seja, independente do perfil molecular, foram responsivos ao veneno, reduzindo a migração. A ação funciona em diferentes gliomas”, explicou a biomédica Natália Barreto dos Santos, ao Jornal da Unicamp.
O experimento resultou na tese de doutorado da pesquisadora dentro do programa de Biologia Molecular e Morfofuncional do Instituto de Biologia da universidade. “É muito importante esse caráter translacional, que sai da pesquisa básica para a aplicação humana”, indica a orientadora da tese, professora Catarina Rapôso, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, que há mais de vinte anos pesquisa veneno de animais peçonhentos. “Sempre acreditei na aplicação farmacológica dos venenos.”
Neste mês, a doutorando iniciará uma parceria com a Universidade da Califórnia (UCLA), nos Estados Unidos, para aprender novas técnicas de avaliação do mecanismo de ação de moléculas. Ela continuará a investigação das células isoladas em seu pós-doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas. A pesquisa mais recente ganhou o Prêmio Tese Destaque 2024/2025 da Unicamp.
“Conseguimos isolar duas moléculas que têm efeitos diferentes, mas complementares. Nós chamamos estas duas moléculas de LW9 e LW11. Já patenteamos a LW9 junto com um quimioterápico, fazendo um produto associado. Também vamos patentear a LW11 associada à LW9”, anunciou a pesquisadora ao jornal. Já as amostras de células tumorais foram congeladas em um biobanco para pesquisas futuras.
A equipe também pretende iniciar testes com a Anvisa com foco no câncer de mama. Em outra frente, o laboratório tem uma parceria com uma clínica veterinária para uma pesquisa voltada para uso em animais, que pode resultar em um medicamento veterinário. “Câncer é uma doença que demanda controle, para que a pessoa, ou animal, tenha uma expectativa de vida longa e com qualidade. A pesquisa traz algo a mais para ajudar nesse controle”, diz a orientadora.
Fonte: olhar digital




