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Confira todos os detalhes sobre o tarifaço de Trump que entra em vigor nesta terça-feira (24). Foto: Reprodução/Casa Branca

Tarifaço de Trump entra em vigor; relembre os fatos e entenda efeitos da taxa

Com o tarifaço de Trump em vigor nesta terça, nova tarifa global de 10% com previsão de alta para 15% substitui sobretaxas anteriores e redefine o cenário do comércio internacional, incluindo os impactos para o Brasil

O novo tarifaço de Trump entra oficialmente em vigor nesta terçafeira.

A medida, que incide sobre produtos globais importados pelos Estados Unidos, passa a valer após a Suprema Corte derrubar parte das restrições aplicadas anteriormente a mais de 180 países. A decisão marca um novo capítulo na política comercial americana, consolidando a estratégia econômica instituída pelo presidente.

Duas alterações importantes entram em vigor às 00h01 (horário de Washington). A primeira é que a decisão da Suprema Corte anula todas as tarifas aplicadas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

A segunda é que a nova tarifa global passa a valer no mesmo horário, com uma ampla lista de produtos isentos.

 O presidente Donald Trump assinou (20) uma ordem executiva autorizando uma tarifa de importação de 10%, poucas horas após a decisão judicial. Em seguida, disse que elevaria a alíquota para 15%, mas até esta terça-feira não havia publicado uma diretriz formal para oficializar o aumento.

Segundo aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês), a tarifa em vigor corresponde ao percentual inicialmente anunciado, de 10%. De acordo com o Financial Times, a medida é temporária, e a Casa Branca prepara um decreto para elevar as tarifas para 15%.

Agora, vamos relembrar os acontecimentos mais marcantes desde (20), e além disso, explicar os efeitos das decisões e mostrar como fica o Brasil nessa história.

Como tudo começou?

 A Suprema Corte dos EUA decidiu (20) que Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações a quase todos os parceiros comerciais dos EUA, o chamado “tarifaço”.

Por 6 votos a 3, a maioria dos ministros concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Trump argumentava que poderia adotar esse tipo de medida em situações excepcionais.

O caso entrou na Justiça em meados de 2025, com uma ação apresentada por empresas impactadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, que questionaram o uso da lei para impor tarifas de importação de forma unilateral. O processo, contudo, chegou à Suprema Corte por meio de recursos apresentados pelo governo Trump.

Na prática, a decisão derrubou as chamadas “tarifas recíprocas” de 10% ou mais, aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos EUA com base na IEEPA.

As tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio não foram afetadas, pois foram aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, voltada à segurança nacional.

Como Trump reagiu?

Imediatamente após o parecer da Suprema Corte, Trump classificou a decisão como “uma vergonha” e disse ter “um plano B” para manter as tarifas sobre produtos importados.

Mais tarde, informou que usaria outro instrumento legal — não mais a IEEPA — para aplicar uma tarifa global de 10%. Trump disse que ativaria a Seção 122 da legislação comercial dos EUA e a Seção 301.

  • Seção 122 da Lei de Comércio: A lei permite aplicar tarifas de até 15% por um período de até seis meses em situações de desequilíbrio nas contas externas ou risco de desvalorização do dólar, sem necessidade de investigação formal. Após esse período, o Congresso precisa aprovar a prorrogação das medidas.
  • Seção 301 da Lei de Comércio: Essa alternativa permite abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais por outros países. Se forem confirmadas, o governo pode impor tarifas sem limite de valor ou duração. O processo, porém, é mais lento, pois exige investigação formal e consulta pública, o que pode levar meses.

Como os 10% viraram 15%?

A Casa Branca publicou na noite (20) o decreto que confirmava o fim do tarifaço anunciado em abril e formalizava a nova tarifa global de 10%, com base em uma nova lei e início previsto para esta terça-feira (24).

Segundo a Casa Branca, as novas tarifas de 10% foram adotadas para corrigir desequilíbrios nos pagamentos internacionais, reduzir o déficit comercial e incentivar a produção americana.

Mesmo os envios de baixo valor (os chamados “de minimis”, que eram isentos), passariam a ser cobrados sob a nova taxa temporária.

Trump anunciou (21) que, após “uma análise completa e detalhada”, elevaria as tarifas globais de importação para 15%. Essa, contudo, é a taxa máxima permitida pela Seção 122, que autoriza a aplicação de tarifas por até 150 dias antes de avaliação pelo Congresso.

Por que produtos ficaram isentos da tarifa?

Em outro documento, o governo americano detalhou que uma enorme lista de produtos ficaria isenta das novas tarifas anunciadas por Trump.

  • bens do Canadá e do México que estejam em conformidade com o USMCA (Acordo EUA-México-Canadá);
  • produtos agrícolas específicos, como carne bovina, tomates e laranjas;
  • produtos farmacêuticos e seus ingredientes;
  • minerais críticosenergia e certos eletrônicos;
  • têxteis e vestuário de países do tratado CAFTA-DR (como Costa Rica e República Dominicana) com isenção de impostos.

Jackson Campos, especialista em comércio exterior, afirma que a decisão de Trump é estratégica e segue a lógica de manter a tarifa como instrumento de negociação com o menor custo interno possível.

“O objetivo é calibrar a medida para gerar pressão comercial sem provocar danos relevantes à própria economia dos EUA”, diz.

“Ao isentar itens críticos, ele reduz o risco de repasse imediato aos preços domésticos, evita rupturas em cadeias produtivas integradas e preserva setores considerados estratégicos”, acrescenta.

Como fica o Brasil nessa história?

Relembrando: a decisão da Suprema Corte anulou todas as tarifas aplicadas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). O Brasil era um dos países com as tarifas mais altas aplicadas por Trump nesse tarifaço, e agora são extintas duas taxas importantes: