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O Ministério da Saúde anunciou, em Brasília, no dia 26 de fevereiro, que o SUS lançou uma tecnologia que acelera o diagnóstico de doenças raras. Foto: agência brasil

SUS lança tecnologia que acelera diagnóstico de doenças raras

Nova tecnologia de sequenciamento de DNA no SUS promete reduzir tempo de diagnóstico de doenças raras de sete anos para seis meses

O Sistema Único de Saúde (SUS) implementa uma tecnologia inovadora para agilizar e aprimorar a precisão no diagnóstico de doenças raras. A nova plataforma de sequenciamento completo do DNA, disponível no sistema público, deverá atender cerca de 20 mil casos anualmente em todo o Brasil e diminuir o tempo para obtenção do diagnóstico de sete anos para apenas seis meses.

O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde em Brasília, no dia 26 de fevereiro. Sobretudo, estima-se que aproximadamente 13 milhões de brasileiros tenham doenças raras.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o SUS passou a oferecer o sequenciamento completo do exoma, exame que custa cerca de R$ 5 mil.

A redução do tempo para diagnóstico é crucial para o tratamento e para a melhora da qualidade de vida dos pacientes, conforme enfatizou Padilha, que também oficializou a habilitação de novos serviços para o tratamento dessas doenças. Ele ressaltou que o próximo sábado é dedicado à conscientização mundial sobre doenças raras.

Expansão dos serviços

Alexandre Padilha defendeu que o país deve ter independência na pesquisa, desenvolvimento e tratamento de doenças raras, incluindo a transferência de tecnologias de centros especializados. Ele afirmou, dessa forma, que ampliar esses serviços para estados sem estrutura adequada facilita o acesso da população local.

Natan Monsores, coordenador de doenças raras do ministério, explicou que os centros de triagem neonatal poderão encaminhar todo paciente atendido ou identificado para polos de sequenciamento. O investimento no primeiro ano foi de R$ 26 milhões, possibilitando, contudo, a oferta do exame que no mercado custa até R$ 5 mil por apenas R$ 1,2 mil.

Segundo Monsores, a resolução diagnóstica é altamente precisa.

“Este avanço representa um grande benefício para a comunidade afetada por doenças raras. Fornecendo aos médicos geneticistas, neurologistas e pediatras uma ferramenta essencial para a confirmação do diagnóstico”, afirmou.

Coleta simples

A amostra é coletada com um cotonete na parte interna da bochecha, onde são colhidas células que serão encaminhadas aos laboratórios. Além disso, também é possível realizar o exame com amostra de sangue.

Monsores ressaltou que este método facilita o diagnóstico de deficiências intelectuais, atrasos no desenvolvimento infantil e uma grande variedade de condições genéticas que podem afetar as crianças.

Atualmente, 11 unidades federativas já possuem serviços ativados. Em 90 dias, a equipe realizou 412 testes com sequenciamento e emitiu 175 laudos.

“A expectativa é expandir essa rede para todas as unidades federativas até abril de 2026”, completou.

Novas terapias

O Ministério da Saúde também anunciou o tratamento de crianças com atrofia muscular espinhal (AME) utilizando uma terapia gênica inovadora. Essa doença, se não tratada rapidamente, pode ser fatal. Todas as crianças que receberam essa terapia tiveram a progressão da doença interrompida.

Reconhecimento e desafios

Maria Cecília Oliveira, presidente da Associação dos Familiares, Amigos e Pessoas com Doenças Graves, Raras e Deficiências, presente no evento, comemorou os avanços nas políticas públicas para os pacientes com doenças raras.

“Espero que o programa Agora tem especialistas possa realmente fazer uma diferença significativa para esses pacientes, que é a nossa maior luta”, declarou.

Lauda Santos, presidente da Associação Maria Vitória de Doenças Raras e Crônicas (Amaviraras) e vice-presidente da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras (Febrararas), reforçou a importância de divulgar esse serviço no SUS.

Ela destacou que um dos principais desafios é garantir que essas informações cheguem aos pacientes. Reconhecendo que as dificuldades ainda persistem, mas espera mudanças positivas com o tempo.

Por fim, Lauda defendeu o fortalecimento das entidades que representam os pacientes e manifestou preocupação com a elevada carga tributária sobre medicamentos.

Fonte: notícias do planalto