Na abertura da 12ª edição Coplacampo, em Piracicaba, protetor solar para frutas e robô com inteligência artificial destacam inovações que prometem transformar a produtividade no campo
Protetor solar líquido para frutas e um robô guiado por inteligência artificial que transita sozinho pelas lavouras de uva e maçãs para identificar e quantificar a produtividade do pomar. Essas duas soluções, especialmente aplicadas ao segmento, chamaram a atenção dos visitantes na abertura da 12ª edição da Coplacampo, uma feira de tecnologia de agronegócios, inaugurada (23) em Piracicaba (SP).
Com 170 expositores, a Coplacaepo espera movimentar R$ 500 milhões até o último dia da feira de tecnologia de agronegócio, nesta sexta-feira (27).
Durante a abertura do evento, realizado pela Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), a equipe da EPTV, afiliada da TV Globo na região, foi ver de perto como funcionam essas inovações. Algumas delas, ainda estão em fase de testes. Confira abaixo:
Protetor solar para frutas
Comercializado em líquido, o produto desenvolvido por uma empresa de Vinhedo (SP), a exemplo de um protetor solar utilizado em humanos, cria uma camada para evitar que a fruta sofra com as altas temperaturas.
“Como ele cria essa camada branca, ele ajuda a repelir algumas pragas voadoras que são atraídas pela massa verde. Então, ele também tem os efeitos adjacentes. Mas como proteção solar, o grande objetivo desse produto é evitar a perda de produtividade”, diz Tânia Zen, sócia-fundadora da empresa.
“Com as temperaturas aumentando em diferentes regiões, ele é uma tecnologia eu pode ser usada de forma muito ampla. Em momentos específicos de cada fase da planta”, afirma Tânia.
Robô da Embrapa
Outra tecnologia apresentada na Coplacampo atende as demandas da agricultura de precisão. Um robô desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que terá a característica de transitar de forma autônoma por lavouras para fazer a identificação e quantificação de produtividade. Especialmente no segmento de frutas.
Durante o evento, o pesquisador demonstrou o equipamento ao utilizar um controle para comandar seus movimentos durante um trajeto em meio a um talhão de cana-de-açúcar.
Dessa forma, finalizada a fase de testes, o objetivo é que o robô execute as rotinas de forma autônoma.
“Da mesma forma em que hoje a gente desenha um circuito para os drones fazerem a cobertura do talhão. A ideia é que o robô faça a mesma coisa. Execute sozinho um trajeto dentro do pomar e traga as imagens”, explica Thiago Santos, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
O pesquisador desenvolveu, contudo, o programa com o uso de inteligência artificial e o testou em lavouras de maçã e uva.
“Há câmeras voltadas para cada lado do corredor, então a gente consegue pegar frutos dos dois lados. E o software de Inteligência artificial vai quantificando as frutas e com o GPS vai georreferenciando a posição. Com precisão de centímetros da localização de cada fruto no talhão”, aponta o pesquisador.
“Com isso, a gente consegue não só fazer uma estimativa de colheita, mas consegue geoespacializar. Mostrar no talhão onde há áreas com maior número de frutos e os agricultores que vão usar. Por exemplo, práticas de agricultura de precisão podem revisitar o seu talhão e tomar as medidas necessárias para melhorar a produção”, diz Santos.