CNI projeta perda de produtividade e alta nos custos operacionais com proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado (23) estima que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia.
Isso equivale a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos, diz a entidade.
O tema da campanha eleitoral deste ano e o destaque nas redes sociais podem pautar ainda em 2026, no Congresso Nacional, o debate sobre o fim da escala 6×1.
A projeção da CNI considera dois cenários para a manutenção do nível de horas trabalhadas. Sendo eles: a realização de horas extras aos empregados atuais ou a contratação de novos trabalhadores.
Proporcionalmente, diz a entidade, o impacto para o setor industrial pode ser de até 11,1% da folha de salários. O que resultaria, dessa forma, em aumento de despesas de R$ 87,8 bilhões (horas extras para os atuais empregados) e de R$ 58,5 bilhões anuais (considerando a contratação de novos trabalhadores).
Segundo a projeção da CNI, de um total de 32 setores industriais, 21 apresentariam elevação de custos acima da média da indústria. Independentemente da estratégia adotada pela empresa para manter o número de horas atuais de produção.
Exemplos de impactos por setores econômicos:
- Indústria da transformação: de 7,7% a 11,6%
- Indústria da construção: de 8,8% a 13,2%
- Comércio: entre 8,8% e 12,7%
- Agropecuária: 7,7% e 13,5%
Micro e pequenas empresas
A entidade avaliou, ainda, que as empresas industriais de menor porte seriam as mais impactadas pela redução da jornada de trabalho. Uma vez que a proporção de empregados com jornadas superiores a 40 horas semanais é maior nessas empresas.
Para o presidente da CNI, a discussão sobre a redução da jornada e mudança da escala de trabalho exige cautela e, se não for feita com o devido debate e análise criteriosa dos impactos, corre o risco de comprometer não apenas a competitividade da indústria. Mas toda a economia e o desenvolvimento do país.
“Qualquer mudança na legislação trabalhista deve considerar a diversidade de realidades produtivas do país, os efeitos sobre os setores econômicos e empresas de diferentes portes. Além das disparidades regionais e do impacto sobre a competitividade e a criação de empregos formais”, conclui.



