Orçamento das famílias sofre com cesta básica em Campo Grande
O custo da cesta básica voltou a subir em Campo Grande no início de 2026 e segue pressionando o orçamento das famílias. Em janeiro, o valor médio dos 13 itens essenciais chegou a R$ 783,41, o que representa alta de 0,97% em relação a dezembro de 2025. Na comparação com janeiro do ano passado, o aumento acumulado foi de 2,51%.
Apesar de a variação mensal ter sido considerada moderada, o custo continua elevado para quem depende do salário mínimo. Em janeiro, o trabalhador que recebe o piso nacional de R$ 1.621,00 precisou trabalhar 106 horas e 19 minutos para comprar a cesta básica. Em dezembro de 2025, a jornada necessária era, ainda assim, maior, de 112 horas e 27 minutos. Além disso, em janeiro de 2025, quando o mínimo era de R$ 1.518,00, eram exigidas 110 horas e 46 minutos de trabalho.
Na prática, isso significa que mais da metade do salário segue comprometida apenas com alimentação básica. Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o trabalhador precisou destinar 52,25% da renda para adquirir a cesta em janeiro. Em dezembro, o percentual foi de 55,26%, e, em janeiro do ano passado, de 54,43%.

Tomate puxa alta do mês
Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, apenas três dos 13 produtos da cesta registraram aumento de preço. O destaque foi o tomate, com disparada de 40,70%, seguido pela manteiga (1,42%) e pela batata (0,49%).
Por outro lado, dez itens apresentaram queda, como o leite integral (-8,00%), óleo de soja (-7,97%), arroz (-6,50%), feijão (-5,01%), farinha de trigo (-4,10%), café (-3,81%), açúcar (-3,37%), banana (-2,31%), pão francês (-0,78%) e carne bovina de primeira (-0,22%).
Aumentos expressivos em 12 meses
No acumulado dos últimos 12 meses, seis produtos registraram alta. O principal destaque foi o café em pó, com aumento de 31,47%, seguido pelo tomate (24,32%), batata (5,67%), pão francês (5,61%), carne bovina de primeira (3,95%) e farinha de trigo (3,74%).
Já entre os itens que ficaram mais baratos no período estão o arroz (-39,87%), açúcar (-16,30%), feijão (-9,30%), leite integral (-9,26%), banana (-3,23%), manteiga (-2,06%) e óleo de soja (-0,67%).
Impacto direto no dia a dia
Mesmo com a queda de preços em boa parte dos produtos, o custo total da cesta segue elevado. Além disso, exige grande esforço do trabalhador.
Com mais da metade da renda líquida comprometida apenas com alimentação básica, sobra, portanto, menos dinheiro para despesas. Assim, afetam-se aluguel, transporte, saúde e educação.
Em síntese, o resultado reforça a pressão sobre o orçamento doméstico e evidencia o impacto da variação dos alimentos no poder de compra das famílias de Campo Grande. Enquanto os preços continuam oscilando, o custo da cesta básica permanece como um dos principais indicadores do peso da inflação no dia a dia da população.
Fonte: Conab/DIEESE



