Ney Matogrosso recebe título de doutor honoris causa da UFMS e celebra trajetória artística em cerimônia memorável
O cantor Ney Matogrosso recebeu o título de doutor honoris causa da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) na noite (26), em cerimônia realizada no Teatro Glauce Rocha. Natural de Bela Vista, o artista foi condecorado com a mais alta honraria da Universidade pela contribuição à cultura e à sociedade brasileira, ampliando o reconhecimento de uma das vozes mais marcantes da música nacional.
A cerimônia reuniu centenas de pessoas, que lotaram o teatro e até o estacionamento, onde um telão foi instalado para quem não conseguiu entrar. Ademais, durante a entrega do título, a reitora da UFMS, Camila Ítavo, destacou a importância do artista para a instituição e para o país.
“A partir de hoje você leva a UFMS em seu coração e deixa também toda a sua arte, a sua potência nos fortalecendo a cada dia. Parabéns, nosso doutor Ney Matogrosso”, afirmou.
Após a condecoração, Ney subiu ao palco para uma palestra-show, em que falou sobre a carreira, processo criativo, sentimentos e reflexões sobre o mundo. Em tom íntimo, o cantor relembrou a recente morte da mãe, Berta de Souza Pereira, que faleceu no último dia 17, aos 103 anos.
Sobretudo, ao comentar a perda, o artista falou da longevidade e disse que não gostaria de viver tanto tempo. “Eu perdi minha mãe agora com 103 anos. Eu não quero viver 103 anos. Por favor”, declarou.
Preocupação com o meio ambiente
Por outro lado, durante a conversa, Ney também fez um alerta sobre as mudanças ambientais que testemunhou ao longo da vida em Mato Grosso do Sul. Ele relembrou as viagens de infância em Bela Vista e disse que já não reconhece mais a paisagem.
“Eu via um cerrado alto que ia se transformando em florestas. Da última vez que fiz essa viagem, não vi mais esse cerrado alto e não vi mais a floresta. Isso me deixa muito aflito”, disse.
Outro ponto foi a indignação com a morte de animais nas estradas. Ney contou que, desde jovem, se incomoda com a cena recorrente de animais atropelados. “Eu via muito animal morto, anta, tamanduá. Isso me deixava angustiado. Não é possível que não vejam. Eu fico achando até que é de propósito. Isso é que me deixa louco”, afirmou.
Além disso, ao longo da palestra, o cantor também refletiu sobre o amor, que definiu como um ato de entrega. “O amor é doação. A gente oferece, independentemente de ser correspondido”, disse. Ele ainda falou sobre o trabalho coletivo na música e destacou a importância dos parceiros e do processo cuidadoso na construção de um repertório.
Ney afirmou ainda que enxerga o planeta como um organismo vivo e defendeu uma convivência mais harmônica entre as pessoas e o meio ambiente.
Por fim, em apresentação intimista, voz e piano, o agora doutor cantou sucessos da carreira como Poema, Balada do Louco, Sorte e Fala.
Fonte: UFMS




