Senadora Tereza Cristina aproveita a abertura da Expogrande para cobrar segurança jurídica e apontar o endividamento do produtor como entrave ao setor
A abertura da Expogrande 2026, realizada na Acrisul, em Campo Grande, foi marcada por um discurso da senadora Tereza Cristina voltado às dificuldades enfrentadas pelo agronegócio, com críticas aos juros altos, ao aumento dos custos de produção e ao ambiente de insegurança jurídica que, segundo ela, afeta diretamente o setor. Diante de produtores rurais, lideranças do agro e autoridades políticas, a senadora também alertou para o risco de falta de fertilizantes. E associou parte da pressão vivida no campo aos efeitos da guerra no cenário internacional.
Logo no início da fala, Tereza Cristina destacou o perfil do público presente e afirmou estar satisfeita em ver a casa cheia, com “gente que trabalha, gente que acorda cedo”. Ao citar o governador Eduardo Riedel, classificou Mato Grosso do Sul como um estado moderno. Ligado a um agronegócio que usa tecnologia e desenvolve produção sustentável. Também associou o desempenho do Estado a uma sequência de boas administrações. E afirmou que, no cenário nacional, a realidade não seria a mesma para o setor.
Durante o discurso na abertura da feira, a senadora também elogiou a organização do evento e mencionou o presidente da Acrisul, Guilherme, afirmando que realizar uma feira daquele porte em um ano desafiador exigia esforço e capacidade de liderança. A observação ajudou a dar o tom do que seria a fala, menos voltada à celebração da feira e mais concentrada em apontar problemas enfrentados pelo produtor rural.
Insegurança jurídica e questão fundiária
Tereza Cristina afirmou que o agronegócio atravessa um período de retrocesso e disse que o público presente conhece de perto as dificuldades impostas ao setor. Ao comparar o momento atual com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou que o agro viveu uma fase positiva, especialmente no campo da segurança jurídica. Segundo ela, esse ambiente foi perdido e hoje o produtor rural convive com incertezas que afetam o planejamento da atividade.
Um dos pontos abordados foi a questão fundiária e os conflitos envolvendo terras indígenas. A senadora classificou o tema como sério e afirmou que o debate precisa ser enfrentado sem ignorar a situação de pobreza vivida por parte das comunidades indígenas. Também disse presidir uma comissão que estuda mineração em terra indígena. E relatou que tem recebido manifestações de indígenas que, segundo ela, querem deixar a condição de dependência em que vivem. O assunto apareceu dentro da discussão maior sobre insegurança jurídica no campo.
Desafios econômicos: juros e endividamento
Na parte econômica do discurso, Tereza Cristina concentrou as críticas no patamar dos juros. Disse que as taxas atuais são “impensáveis”, “impossíveis” e “impraticáveis”, sobretudo para uma atividade que investe antes da colheita, assume custos altos e ainda depende do clima. Ao definir a agropecuária como uma “indústria a céu aberto”, procurou mostrar que o setor trabalha sob risco permanente e não consegue absorver crédito caro.
A senadora também tratou do endividamento dos agricultores. Segundo ela, muitos produtores estão endividados porque os juros cobrados hoje não cabem no orçamento da atividade rural. Na avaliação apresentada durante a abertura da Expogrande 2026, o problema não está na falta de trabalho ou de empenho do produtor. Mas no custo do dinheiro, que se tornou incompatível com a realidade do campo. Por isso, ela defendeu uma política agrícola mais séria e atualizada.
Cenário internacional e custos de insumos
Ao falar sobre o cenário internacional, Tereza Cristina afirmou que a guerra externa já produz reflexos diretos no Brasil. Como exemplo, citou a alta dos fertilizantes, que, segundo ela, já subiram 50%, e alertou para a possibilidade de falta do produto em agosto. A senadora atribuiu esse risco ao movimento de países que estariam priorizando estoques internos. O que, contudo, impactaria a oferta de um insumo essencial para a produção agrícola.
O aumento do preço do óleo diesel também entrou na lista de preocupações. Tereza Cristina afirmou que o país precisa reduzir sua dependência de importações de combustíveis. E disse que a ampliação do uso de etanol e biodiesel poderia amenizar parte dessa pressão. O tema tem peso direto sobre o agro, já que o diesel influencia o custo das máquinas, do transporte e do escoamento da produção.
Ao longo da fala, a senadora também elogiou a atuação de entidades do setor, como a Famasul e a CNA. E mencionou autoridades presentes no evento. Mesmo com reconhecimento à condução local de Mato Grosso do Sul, deixou claro que, na avaliação dela, o cenário nacional continua impondo obstáculos importantes ao setor produtivo.
Por fim, mais do que uma participação protocolar na abertura da Expogrande 2026, o discurso de Tereza Cristina transformou o palco da Acrisul em espaço de crítica política e de vocalização das principais queixas do agronegócio. Ao concentrar a fala em juros, fertilizantes, diesel, endividamento e segurança jurídica, a senadora deu à abertura da feira um tom de alerta sobre os entraves que hoje cercam a produção rural.
Fonte: Gov.MS



