Puxado pela alta de 5,21% em educação, IPCA de fevereiro sobe 0,70% e acumula 3,81% em 12 meses; preços de mensalidades escolares foram o principal vilão do mês
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, mostra que os preços subiram 0,70% em fevereiro, segundo dados divulgados (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% registrados no período imediatamente anterior.
O dado de fevereiro veio ligeiramente acima do esperado pelo mercado, que projetava avanço de cerca de 0,6% no mês. Pelas estimativas, a inflação em 12 meses ficaria em torno de 3,77%.
Mesmo assim, o índice segue dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, essa meta passou a ser contínua — isso significa que o cumprimento é acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.
IPCA: Preços sobem 0,70% em fevereiro, puxados por educação
Segundo o IPCA, no resultado mais recente, o grupo Educação teve o maior aumento de preços em fevereiro, com avanço de 5,21%, respondendo por 0,31 ponto percentual do índice do mês.
Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA do IBGE, esse movimento é comum no começo do ano, quando os reajustes educacionais entram em vigor.
Em seguida aparecem os Transportes, com alta de 0,74% e impacto de 0,15 ponto. Juntos, esses dois grupos foram responsáveis por cerca de 66% da inflação registrada no período.
Transportes tiveram segundo maior impacto
O grupo Transportes registrou alta de 0,74% em fevereiro e teve o segundo maior impacto na inflação do mês, contribuindo com 0,15 ponto percentual para o resultado do índice. Um dos principais fatores por trás desse avanço foi o aumento de 11,4% nas passagens aéreas.
Outros custos ligados ao uso de veículos também subiram no período. O seguro voluntário de automóveis ficou 5,62% mais caro, enquanto o conserto de veículos teve alta de 1,22%. Já as tarifas de ônibus urbano avançaram 1,14%.
Esse aumento no transporte coletivo reflete reajustes aplicados em várias capitais ao longo do início do ano. Entre eles estão:
- Fortaleza: alta de 20% nas tarifas, em vigor desde 1º de janeiro.
- Belo Horizonte: aumento de 8,7%, também a partir de 1º de janeiro.
- Rio de Janeiro: reajuste de 6,38%, válido desde 4 de janeiro.
- Salvador: alta de 5,36%, aplicada a partir de 5 de janeiro.
- São Paulo: aumento de 6%, em vigor desde 6 de janeiro.
- Vitória: reajuste de 4,16%, a partir de 12 de janeiro.
- Recife: alta de 4,46%, válida desde 1º de fevereiro.
- Porto Alegre: aumento de 6%, aplicado a partir de 19 de fevereiro.
Algumas capitais também registraram queda nas tarifas de transporte coletivo, o que ajudou a reduzir os preços nesse segmento.
Em Curitiba, por exemplo, o valor do ônibus urbano caiu 1,27% por causa da tarifa mais baixa aplicada aos domingos e feriados.
Em Brasília, a variação foi ainda maior, com recuo de 9,54%, devido à gratuidade nesses dias. Por outro lado, em Belém, onde a mesma política também está em vigor, o índice ficou em 1,04%.
No caso do metrô, os preços ficaram estáveis no resultado geral.
Ainda assim, houve movimentos diferentes entre as cidades
Em Brasília, a gratuidade aos domingos e feriados levou a uma queda de 9,54%, enquanto em São Paulo houve reajuste de 3,85% nas tarifas a partir de 6 de janeiro.
O mesmo aumento foi aplicado ao trem na capital paulista, o que contribuiu para a alta registrada nesse serviço. Também em São Paulo, o item que considera a integração entre diferentes meios de transporte público refletiu esse reajuste nas tarifas.
O item táxi também apresentou aumento, influenciado por reajustes em algumas capitais. As tarifas subiram 4,26% em Porto Alegre, 4,53% em Salvador, 18,70% em Fortaleza e 4,92% no Rio de Janeiro, todos aplicados ao longo do início do ano.
Por outro lado, os combustíveis, no geral, tiveram leve queda de 0,47%. O resultado foi puxado pela redução nos preços da gasolina, que recuou 0,61%, e do gás veicular, que caiu 3,10%.
Por outro lado, o etanol subiu 0,55% e o óleo diesel teve alta de 0,23%.
Outras variações no mês
O grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,59% em fevereiro. Dentro dessa categoria, os principais aumentos vieram dos artigos de higiene pessoal, que subiram 0,92%, e dos planos de saúde, com alta de 0,49%.
Já o grupo Habitação avançou 0,30% no mês, após ter apresentado queda de 0,11% em janeiro. Um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi o aumento nas tarifas de água e esgoto, que subiram 0,84%, refletindo reajustes aplicados em algumas cidades ao longo de janeiro e fevereiro.
Ainda nessa categoria, a energia elétrica residencial teve leve alta de 0,33%, com a manutenção da bandeira tarifária verde, que indica condições mais favoráveis de geração de energia.
Por outro lado, o gás encanado ficou 1,6% mais barato, após reduções nas tarifas registradas no Rio de Janeiro e em Curitiba.
No grupo Alimentação e bebidas, segundo o IPCA, os preços passaram de 0,23% em janeiro para 0,26% em fevereiro.
Dentro de casa, os alimentos tiveram alta de 0,23%, influenciada principalmente pelo aumento de itens como:
- Açaí: alta de 25,29%
- Feijão-carioca: aumento de 11,73%
- Ovo de galinha: alta de 4,55%
- Carnes: avanço de 0,58%
- Frutas: queda de 2,78%
- Óleo de soja: recuo de 2,62%
- Arroz: queda de 2,36%
- Café moído: redução de 1,20%
A alimentação fora de casa também subiu, mas em ritmo menor do que no mês anterior. O avanço foi de 0,34% em fevereiro, abaixo dos 0,55% registrados em janeiro.
Nesse período, o preço das refeições desacelerou de 0,66% para 0,49%, enquanto o lanche passou de 0,27% para 0,15%.
Inflação persistente e cautela nos juros
Economistas ouvidos pelo g1 avaliam que o resultado da inflação de fevereiro trouxe sinais mistos.
Alguns fatores específicos ajudaram a pressionar os preços no mês, mas, no conjunto, o dado não muda de forma relevante as projeções para a inflação ao longo do ano nem as expectativas sobre a política de juros.
Para Lucas Barbosa, economista da AZ Quest Investimentos, o índice ficou acima do projetado e apresentou uma composição menos favorável do que a esperada. Ainda assim, ele avalia que o movimento não altera a tendência de desaceleração da inflação observada nos últimos meses.
Barbosa ressalta, no entanto, que o cenário internacional mais incerto pode trazer riscos adicionais para a trajetória dos preços. Segundo ele, tensões geopolíticas e possíveis impactos sobre os custos de energia podem influenciar a inflação nos próximos meses.




