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Greve que paralisa embarques agrícolas da Argentina, vai se entender até meia-noite desta quinta-feira (19). Foto: Reprodução/Wikipédia

Greve paralisa embarques agrícolas da Argentina

Greve paralisa embarques agrícolas na Argentina e intensifica tensão entre sindicatos e governo após avanço da reforma trabalhista

A greve que paralisa os embarques agrícolas na Argentina interrompeu as atividades de exportação de grãos e derivados (18). O movimento, organizado por sindicatos marítimos, é um protesto contra a reforma trabalhista promovida pelo governo, conforme informou o presidente da Câmara de Exportadores e Processadores de Grãos (CIARA-CEC).

“Isso (a greve de 48 horas) claramente paralisa totalmente as atividades de agroexportação e nos parece uma medida totalmente política e distante das necessidades específicas”, disse Gustavo Idígoras, presidente da CIARA-CEC, à Reuters.

Mobilização coincide com paralisação geral

A greve, que começou (18) vai se estender até a meia-noite desta quinta-feira, coincidirá parcialmente com a paralisação geral confirmada para quinta-feira pela poderosa Confederação Geral do Trabalho (CGT), que deverá, dessa forma, paralisar a ⁠atividade do país.

Impacto nos portos e em Rosário

A greve dos trabalhadores marítimos ⁠afetou a atracação e desatracação de navios. O transporte de práticos e ‌os serviços a embarcações, principalmente na área portuária de Rosário. Um dos maiores centros ⁠de exportação agrícola do mundo.

“Esta ação visa defender nossos direitos trabalhistas e a estabilidade de nossos empregos”, afirmou a Federação dos Trabalhadores Marítimos e Fluviais (Fesimaf) em um comunicado à imprensa ‌divulgado ⁠nas redes sociais.

Reforma trabalhista gera reação sindical

A ‌Câmara dos Deputados da Argentina deveria debater nesta quinta-feira o projeto de reforma trabalhista, já aprovado na semana passada pelo Senado, que enfrenta ampla rejeição dos sindicatos argentinos por ⁠flexibilizar as condições de contratação, reduzir as ⁠indenizações por demissão, limitar o direito à greve e permitir jornadas de trabalho mais longas.

Adesão de sindicatos do polo oleaginoso

Além das greves ‌anunciadas por diversas entidades, o sindicato dos trabalhadores da indústria processadora de oleaginosas (SOEA) de San Lorenzo, o polo agroexportador localizado ao norte de Rosário, onde se concentra a maioria das usinas de processamento de soja do país, aderiu à greve (18).

O SOEA também aderiu às greves anunciadas por diversos sindicatos. “Condenamos veementemente essa suposta modernização que busca apenas legalizar a erosão dos direitos trabalhistas”, declarou o SOEA em ⁠um comunicado à imprensa.

Argentina lidera exportações de derivados de soja

Todavia, a Argentina é a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja.

Governo aponta impacto econômico das greves

O governo Milei considera, contudo, as greves recorrentes um problema que afeta a produtividade da Argentina.

“As greves não são neutras para a atividade econômica. Quando o transporte e os portos são afetados, o impacto vai além do dia de trabalho perdido. A Argentina depende de sua capacidade de exportação para manter o fluxo de divisas”, disse Ion Jauregui, analista da consultoria ActivTrades.

Fonte: cnn