Os resultados consolidados da temporada 2024/25 mostram avanço simultâneo em produtividade, eficiência operacional e redução de custos que chegou a cerca de R$ 1 milhão. Em um momento de margens pressionadas para o produtor rural.
Instalada em Água Boa, no leste de Mato Grosso, a fazenda modelo de mais de três mil hectares é fruto da parceria entre a Case IH, marca da CNH, e a TIM. Sobretudo, responsável pela infraestrutura de conectividade 4G no campo.
Desde 2021, a propriedade opera como um laboratório de agricultura digital em escala comercial. Reunindo máquinas conectadas, monitoramento em tempo real e análise contínua de dados agronômicos e operacionais.
Produtividade acima da região, do estado e do País
Na safra 2024/25, a produção total alcançou 14.054 toneladas de soja. Foram 1.138 toneladas a mais do que a safra 2022/23 e foi 10% mais produtiva do que a de 2022/23. Tendo avançado de 68 para 75 sacas por hectare.
O desempenho foi 19% superior ao da região de Água Boa. 14% acima da média estadual e 27% maior do que a média brasileira no mesmo período, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). É o terceiro ano consecutivo em que a Fazenda Conectada apresenta rendimento superior aos indicadores locais, reforçando a consistência do modelo adotado.
“A Fazenda Conectada é um laboratório vivo de inovação e produtividade”, diz Leandro Conde, diretor de Marketing e Comunicação da Case IH para América Latina.
O resultado, segundo Conde, decorre de um conjunto de fatores que vai além da mecanização. Boas práticas de manejo, capacitação da equipe, tomada de decisão baseada em dados e integração de tecnologias ao longo de todo o ciclo produtivo permitiram elevar o rendimento e, ao mesmo tempo, reduzir ineficiências históricas da operação.
“Isso garantiu menor custo de produção e maior rendimento, fatores essenciais para o produtor rural que tem enfrentado um cenário desafiador nos últimos tempos”, diz Conde.
Agricultura regenerativa e redução de emissões
Além do desempenho agronômico, o projeto avançou na incorporação de práticas de agricultura regenerativa, integrando tecnologias voltadas à conservação do solo, ao uso mais racional de insumos e à redução de emissões.
Na última safra, novas soluções passaram a operar desde o plantio até a colheita. Incluindo sistemas de plantio inteligente com controle individualizado, mapeamento aéreo por imagens e estações meteorológicas com dados localizados em tempo real.
Um estudo comparativo entre as safras 2023/24 e 2024/25 avaliou o impacto dessas tecnologias sobre as emissões de carbono. Todavia, considerando o consumo de combustível e o uso de defensivos nos talhões mais produtivos.
O levantamento apontou redução de 23,6% nas emissões de CO₂ equivalente por saca de soja. A análise foi conduzida pela Agricef, empresa que desenvolve soluções personalizadas em equipamentos, automação e consultoria para otimizar a produção agrícola, em parceria com a Universidade de Campinas (Unicamp). O foco foi, contudo, na eficiência operacional, sustentabilidade e viabilidade econômica da produção agrícola conectada.
Ganhos operacionais e corte de custos
A conectividade no campo também viabilizou mudanças estruturais na operação. Dessa forma, o redimensionamento da frota permitiu a retirada de um trator e uma plantadeira, mantendo a capacidade produtiva e reduzindo custos com manutenção e combustível.
Na colheita, houve o aumento de 25% na média de área colhida por dia. Reduzindo, contudo, em 8 dias a janela de colheita, importante considerando que o período está cada vez mais curto.
Veja mais detalhes sobre como a Fazenda conectada cortou R$ 1 milhão em custos com 4G no campo
Isso tudo garantiu uma economia de 32% no consumo de combustível graças ao acompanhamento em tempo real de toda a frota que, entre diversos benefícios, proporcionou redução do tempo de motor ocioso. Além de melhor uso do maquinário.
A gestão integrada também impactou positivamente nas despesas gerais. Houve redução de 7% no custo por hectare, uma economia total de cerca de R$ 1 milhão, em relação ao início do projeto. Dessa forma, com impacto significativo em redução de insumos com uso de tecnologia e tomada de decisão baseada em dados gerados em tempo real.
“A Safra 2022/23 foi a primeira que apresentamos o impacto da conectividade no campo e esses novos dados de crescimento mostram a evolução na rotina da fazenda. Principalmente no monitoramento diário de indicadores conectados à operação e na gestão de equipe, com capacitação e desenvolvimento de plano de carreira alinhado aos resultados”, diz Conde.
Conectividade como ativo estratégico
Para a TIM, os números reforçam o papel da conectividade como elemento estrutural da eficiência no agronegócio. A cobertura 4G sustenta a telemetria das máquinas, o monitoramento das operações e a previsibilidade do negócio agrícola. Desse modo, transformando a conectividade em um investimento com retorno mensurável.
Segundo Alexandre Dal Forno, diretor de IoT e 5G da TIM, o resultado reforça o papel estratégico da conectividade no ganho de eficiência e produtividade do campo.
“O 4G habilita a transformação digital no agronegócio, permitindo a criação de um ecossistema que potencializa cada etapa do ciclo produtivo,” diz Dal Forno. “A conectividade não é custo, mas um investimento fundamental para a digitalização do agronegócio brasileiro.”
O impacto do projeto extrapola os limites da fazenda. As duas antenas instaladas para a Fazenda Conectada ampliaram o acesso à internet para mais de 25 mil habitantes da região. Desse modo, atendendo escolas, universidades, hospitais e unidades de saúde que antes não dispunham de sinal 4G.
O efeito demonstra como a conectividade rural também atua como vetor de desenvolvimento social e econômico no entorno das áreas produtivas.
Próximos ciclos e ampliação tecnológica
Para as próximas safras, o projeto prevê a incorporação de novas camadas tecnológicas, como drones de aplicação, pulverização seletiva e outras soluções digitais.
Por fim, a Fazenda Conectada Case IH deixa de ser apenas uma vitrine de inovação para se consolidar como um caso prático de como dados, conectividade e gestão integrada podem transformar produtividade em resultado econômico concreto no campo brasileiro.
Fonte: forbes



