Com o endividamento das famílias em patamar recorde e juros elevados, executivos de diferentes setores e economistas projetam os reflexos da restrição de crédito na economia brasileira
Segundo dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), o endividamento das famílias brasileiras atingiu o patamar recorde de 82% no mês de julho.
Varejo vê consumidor mais “seletivo”
O CEO da C&A, Paulo Correa, disse em entrevista ao CNN Money que a situação leva os consumidores da marca a avaliar cuidadosamente os gastos.
“Em um cenário macroeconômico mais desafiador, com juros altos, isso acaba pressionando o endividamento das famílias e a decisão de compra começa a ficar mais racional ainda. “O vestuário está virando quase um investimento no dia a dia”, afirma.
Por outro lado, ele também cita a necessidade de otimização e gestão do capital com o custo de crédito elevado.
Tudo que tem a ver com uso de caixa, de alguma maneira, faz com que a taxa de juros atual fique pesada em qualquer decisão. Isso passa a ser muito importante no dia a dia; a gente acaba tendo menos flexibilidade de fazer alguns movimentos mais robustos de longo prazo”, completa.
Endividamento impacta construção
O setor do varejo não é o único impactado pela Selic em um patamar elevado. O CFO da construtora Tenda, Luiz Maurício Garcia, também comentou sobre o assunto em participação no CNN Money.
Ele pondera que, apesar das taxas mais baixas do Minha Casa Minha Vida, a inadimplência da população pode adiar o sonho da casa própria de muitos.
“O juro em patamar restritivo traz uma série de impactos. Um deles tem sido o endividamento das famílias em nível recorde. Isso preocupa porque, quanto mais famílias tiverem dificuldade financeira, essa família não vai poder adquirir um imóvel porque ela já comprometeu a renda dela com outros financiamentos”, analisa Garcia.
O executivo ressalta que a Selic elevada traz impactos “severos” não só para empresas, mas para a população que toma empréstimos e contrai dívidas. Garcia confirma uma inadimplência de 15% a 20% dos clientes com a Tenda. E menciona que o PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) também aumentou no 2° trimestre de 2026.
O CFO explica que a companhia busca, sobretudo, reduzir a concessão de crédito sem gerar perda de margens e rentabilidade.



