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Déficit de armazenagem de grãos custa R$ 6,1 Bi em MS, valor que corresponde a receitas que deixaram de ser capturadas pelos produtores Foto: Reprodução

Déficit de armazenagem gera perda de R$ 6,1 bilhões ao agronegócio de MS

Déficit de armazenagem de grãos custa R$ 6,1 Bi em MS

O déficit de armazenagem de grãos em MS gerou um custo de oportunidade estimado em R$ 6,1 bilhões na safra 2024/2025, valor que corresponde a receitas que deixaram de ser capturadas pelos produtores em razão da limitação estrutural de silos no estado.

Do montante, R$ 4,7 bilhões representam a soja e R$ 1,4 bilhão o milho, o que evidencia a maior sensibilidade da oleaginosa às condições de mercado e à insuficiência de capacidade de estocagem. Os dados integram um estudo técnico desenvolvido pela Aprosoja/MS, que aponta que a falta de armazenagem adequada força a comercialização dos grãos no período de colheita, quando a maior oferta pressiona os preços e reduz a rentabilidade do produtor.

Na safra analisada, a produção conjunta de soja e milho no estado foi estimada em 24,26 milhões de toneladas. Enquanto isso, a capacidade estática de armazenagem totaliza 16,39 milhões de toneladas. Ao considerar o parâmetro técnico recomendado pela FAO, observa-se um desequilíbrio. A entidade indica a necessidade de capacidade equivalente a 120% da produção anual. Dessa forma, Mato Grosso do Sul apresenta déficit de 12,72 milhões de toneladas. Esse valor corresponde a 43,7% da capacidade ideal necessária para atender à demanda da safra.

Municípios com maiores custos de oportunidade

Entre os municípios analisados, destacam-se os cinco com maiores custos de oportunidade. Maracaju registrou R$ 708,5 milhões. Ponta Porã teve R$ 457,9 milhões. Sidrolândia somou R$ 401,2 milhões. Dourados apresentou R$ 318,6 milhões. Por fim, São Gabriel do Oeste alcançou R$ 265,7 milhões.

Juntos, os municípios concentram mais de R$ 2,15 bilhões em perdas por falta de armazenagem. Maracaju, o maior produtor de grãos do estado, corresponde sozinho por mais de 11% do custo de oportunidade total, evidenciado o elevado déficit de armazenagem frente ao volume produzido.

O presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, destaca que o déficit de armazenagem tem impacto direto sobre a gestão financeira das propriedades rurais. “A comercialização forçada no período de colheita reduz o preço médio recebido pelo produtor e compromete o fluxo de caixa da atividade. Sem a possibilidade de escolher o momento mais adequado para vender sua produção, o produtor perde flexibilidade para escalonar as vendas, negociar melhores preços e projetar receitas ao longo do ciclo produtivo, o que fragiliza o planejamento financeiro. Por isso, a armazenagem deve ser encarada como um instrumento de gestão econômica, essencial para a sustentabilidade e a competitividade das propriedades”, afirma.

Capacidade de armazenagem do Estado

O estudo também analisou a evolução da capacidade de armazenagem no estado. Entre 2014 e 2025, Mato Grosso do Sul praticamente dobrou sua capacidade estática. Antes de tudo, passou de 8,97 milhões para 16,39 milhões de toneladas. Além disso, somente entre 2024 e 2025, o crescimento foi de 10,93%. Nesse sentido, houve acréscimo de 1,6 milhão de toneladas. 

O economista da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, destaca que a expansão da armazenagem tem ocorrido de forma reativa. Por outro lado, não de maneira antecipada. “Historicamente, o déficit estrutural vem acontecendo em resposta ao crescimento da produção. Ou seja, isso limita a capacidade momentânea. Ainda mais, aumenta a demanda por transporte no pico da colheita. Dessa forma, pressiona negativamente a cotação dos fretes. Por fim, reduz o efeito multiplicador da atividade agrícola sobre a economia local. Isso afeta comércio, serviços e arrecadação municipal.”

O estudo aponta que o montante perdido na safra 24/25 equivale a cerca de 10% do valor bruto da produção de soja e milho no estado. Esse volume, portanto, poderia financiar investimentos em novas estruturas de armazenagem.

Buscando contribuir com o desenvolvimento e o fortalecimento da cadeia produtiva, a entidade defende a ampliação de políticas públicas. Além disso, propõe linhas de crédito e incentivos fiscais voltados à construção de silos. Essas medidas são especialmente importantes nos municípios com maior déficit.

Fonte: Aprosoja MS