Conferência Global começa em Campo Grande nesta segunda
Campo Grande se tornou, nesta segunda-feira (23), o epicentro mundial da conservação da vida selvagem por meio da Conferência Global de Espécies Migratórias. A cidade recebe a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15/CMS), evento que reúne representantes de mais de 130 países para discutir ações e políticas voltadas à proteção de animais que cruzam fronteiras durante seus ciclos de vida.
O Brasil não é apenas o anfitrião: Campo Grande assume a presidência da Conferência Global pelos próximos três anos, com a responsabilidade de liderar negociações globais sobre conservação e fortalecer acordos internacionais para espécies que dependem de cooperação transnacional. O encontro acontece até 29 de março e deve reunir cerca de 3 mil pessoas, incluindo cientistas, delegações governamentais, organizações da sociedade civil, povos indígenas e comunidades tradicionais.
A escolha de Campo Grande não foi por acaso. A cidade é porta de entrada para o Pantanal, a maior planície alagável do planeta, compartilhada com Bolívia e Paraguai, e figura central na agenda desta edição da conferência. O local simboliza a conexão entre biodiversidade, conservação e desenvolvimento sustentável.
A importância da CMS
A Convenção sobre Espécies Migratórias existe desde 1979 e é o único tratado global dedicado exclusivamente à proteção de animais que atravessam fronteiras. Também chamada de Convenção de Bonn, entrou em vigor em 1983 e hoje conta com 132 países mais a União Europeia como signatários. O Brasil aderiu em 2015 e, desde então, tem assumido papel estratégico no processo de decisões internacionais.
O tratado organiza as espécies em dois anexos: o Anexo I para animais ameaçados de extinção que exigem proteção imediata, e o Anexo II para espécies cujo estado de conservação é desfavorável e que dependem de cooperação internacional. As listas são revisadas a cada três anos durante a COP, quando os países apresentam evidências científicas, negociam inclusões e aprovam planos de ação conjuntos.
“As espécies não têm uma governança territorializada: é uma governança em fluxo. Sem cooperação, fica muito difícil cuidar não só da espécie, mas também dos seus habitats”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em coletiva de imprensa.
Principais debates e espécies em pauta
Entre os temas da COP15 estão mais de 100 itens de agenda, incluindo a análise de 42 propostas de inclusão de novas espécies nos anexos da convenção. Espécies como tubarão-martelo, coruja-das-neves, ariranha, hiena-listrada e surubim-pintado estão na lista de votação. Cada proposta é rigorosamente avaliada pelo Conselho Científico da CMS quanto à regularidade das migrações e estado de conservação.
Um dos destaques brasileiros é o Plano Regional de Conservação dos Bagres Migradores Amazônicos, desenvolvido em parceria com Bolívia, juntamente com Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. O plano busca proteger espécies essenciais para a segurança alimentar das populações ribeirinhas, regulamentando a pesca artesanal e sustentável.
Resultados esperados
Ao final da conferência, espera-se a aprovação de resoluções, revisões de anexos, planos de ação e a chamada “Declaração do Pantanal”. Entre os resultados concretos estão, em primeiro lugar, a inclusão de novas espécies. Aprovação do plano para bagres amazônicos. Lançamento do relatório sobre peixes migradores de água doce. E definição do orçamento da CMS. Isso abrange, primordialmente, os próximos três anos.
Estrutura do evento
O evento principal acontece no Bosque Expo, no Shopping Bosque dos Ipês, área restrita à ONU e delegações.
Outras atividades serão realizadas no Bioparque Pantanal, assim como na Casa do Homem Pantaneiro, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo e por fim, na UFMS. Elas envolvem, além disso, debates, plenárias, exposições científicas e culturais.
Para o público geral, o Conexão sem Fronteiras oferece entrada gratuita na Casa do Homem Pantaneiro. Inclui, ademais, debates, cinema, exposições e atividades educativas sobre conservação e mudanças climáticas.
Confira a programação completa no endereço https://cop15.ufms.br/
Participação da sociedade
A UFMS promove, primordialmente, atividades abertas à população, incluindo trilhas científicas, observação de aves e borboletas, sessões no planetário e visitas a laboratórios e museus. Também haverá, além disso, Cine Pantanal e o Festival da Juventude, com atrações regionais e nacionais.
“Toda a sociedade está convidada, em primeiro lugar, a participar de uma semana inteira de ciência, cultura e biodiversidade. Isso permite, por exemplo, conhecer de perto os temas abordados por especialistas de todo o mundo. É, portanto, uma oportunidade histórica para Mato Grosso do Sul”, destacou a reitora Camila Ítavo.
Fonte: Ascom COP15





