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Benito di Paula marcou a MPB com clássicos inesquecíveis como "Retalhos de Cetim" e construiu uma carreira consagrada nos palcos. Foto: Reprodução/YouTube

Benito di Paula morre aos 84 anos e deixa legado de sucessos na música brasileira

Benito di Paula morreu no Hospital 9 de Julho, na capital paulista, após sofrer complicações relacionadas ao câncer

O piano marcado pelo ritmo do samba e a voz que embalou sucessos populares por décadas se despedem da música brasileira. Benito di Paula morreu ontem (18), em São Paulo, aos 84 anos, após cerca de um ano de luta contra um câncer. A morte foi confirmada pela assessoria de imprensa do artista.

Nascido Uday Vellozo, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, Benito construiu uma identidade própria na música brasileira. Ademais, ganhou projeção nacional nos anos 1970 ao misturar samba, romantismo e uma forma particular de tocar piano, instrumento que usava para criar uma sonoridade percussiva e dar personalidade às canções.

O artista morreu no Hospital 9 de Julho, na capital paulista, em decorrência de complicações relacionadas à doença. Até o momento, não haviam sido divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento.

Sucessos marcaram os anos 1970

A carreira de Benito começou a ganhar forma ainda jovem, quando se apresentava em hotéis e boates. Depois de se estabelecer em São Paulo, passou a conquistar espaço no mercado fonográfico. Seu primeiro álbum, com o próprio nome, foi lançado em 1971.

O sucesso nacional veio nos anos seguintes, especialmente com “Retalhos de Cetim”, lançada em 1973. A canção se tornou uma das marcas de sua trajetória e, desse modo, abriu caminho para uma sequência de músicas que tocaram nas rádios e atravessaram gerações.

Entre os principais sucessos estão “Charlie Brown”, “Beleza que É Você, Mulher”, “Bandeira do Samba”, “Como Dizia o Mestre”, “Vai Ficar na Saudade”, “Tudo Está no Seu Lugar” e “Do Jeito Que a Vida Quer”.

Por outro lado, Benito também ficou conhecido por “Assobiar e Chupar Cana” e “Proteção às Borboletas”, ambas lançadas na década de 1970. Nos anos 1980, voltou a emplacar músicas populares, como “Ah! “Como Eu Amei” e “Amigo do Sol, Amigo da Lua”.

Um estilo próprio na música brasileira

Benito não se apresentava apenas como sambista. Gostava de se definir como “sambeiro” e “pianeiro”, expressões que ajudavam a explicar a mistura de ritmos e a relação particular que mantinha com o instrumento.

Ao piano, criava uma batucada própria, combinando o balanço do samba com arranjos românticos e uma interpretação reconhecível. Além disso, a presença de palco também fazia parte de sua imagem: cabelos longos, anéis, colares, pulseiras e roupas marcantes ajudaram a torná-lo uma figura popular nos programas de televisão da época.

A influência de sua música ultrapassou o auge comercial dos anos 1970. Portanto, mesmo com menor presença nas paradas e no mercado fonográfico nas décadas seguintes, Benito continuou lançando trabalhos. Entre os álbuns mais recentes estão “A Felicidade É Nossa”, de 2017, e “O Infalível Zen”, de 2021, lançado quando completou 80 anos.

Nos últimos anos, sua obra também passou por um processo de reavaliação, com homenagens que reconheceram sua contribuição à música brasileira. Desse modo, em 2025, a escola de samba Águia de Ouro homenageou Benito no Carnaval de São Paulo.

Família e parceria musical

Benito deixa o filho Rodrigo Vellozo, cantor e pianista, que dividiu o palco com o pai em diferentes ocasiões. Os dois também construíram uma parceria artística ao longo dos anos.

Ademais, outro filho do cantor, André Vancellote Vellozo, morreu em 2019, aos 36 anos.

Por fim, Benito di Paula completaria 85 anos em 28 de novembro. Sua trajetória deixa um repertório que ajudou a aproximar o samba de sonoridades românticas e consolidou um estilo próprio na música popular brasileira.

Fonte: g1