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Troca maciça de ataques entre Rússia e Ucrânia expõe fragilidade do diálogo diplomático e gera duras críticas de Zelensky a enviados dos EUA. Foto: Finbarr O'Reilly/The New York Times

Ataques da Rússia contra a Ucrânia incluem 21 mísseis balísticos contra Kiev após acordo de paz; Zelensky ironiza Trump

A Rússia lançou 21 mísseis contra Kiev na madrugada desta quinta-feira (22), durante os ataques à Ucrânia

Rússia e Ucrânia voltaram a trocar ataques na madrugada desta quinta-feira (22), poucas horas depois de avanços diplomáticos para a retomada das negociações trilaterais com os EUA pelo fim da guerra.

A capital ucraniana, Kiev, foi atacada por 21 mísseis balísticos russos em três ondas diferentes, e 22 ficaram feridos, afirmou o presidente Volodymyr Zelensky. Ele também ironizou o enviado especial do governo Trump, Steve Witkoff, que chamou ontem (21) o presidente russo, Vladimir Putin, de “humanitário”.

“Quase imediatamente após mais uma rodada de negociações, a Rússia lançou um ataque deliberado. Isso significa que não houve nenhuma mudança real em sua postura. (…) Três ondas de mísseis balísticos, 21 no total, foram lançadas contra Kiev pelos ‘humanitários’ russos desde a noite de ontem”, afirmou Zelensky. Ele acrescentou que diversos locais civis foram atingidos, como prédios residenciais, instalações de energia e infraestrutura ferroviária.

Diante da escassez de defesas aéreas avançadas, a Ucrânia não tem conseguido se defender de mísseis balísticos. Outras 34 pessoas ficaram feridas em outras onze regiões ucranianas, segundo Zelensky.

Por outro lado, a Rússia afirmou que forças ucranianas lançaram mais de 800 drones contra o país durante a noite. Sobre a investida na Ucrânia, o governo Putin disse ter feito um “ataque em larga escala” contra infraestrutura portuária em Odesa.

O novo ciclo de ataques ocorre um dia após a retomada das negociações trilaterais entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia, anunciada após uma reunião entre Vladimir Putin e Steve Witkoff em São Petersburgo.

Ademais, Zelensky também havia proposto ontem (21) “congelar” a linha de frente da guerra como primeiro passo para uma negociação de cessar-fogo. O principal assessor de Putin, Yuri Ushakov, afirmou que o conflito estaria “chegando perto do fim”.

Ataque de mísseis russo em Kiev

Após os bombardeios da madrugada, o chanceler ucraniano Andrii Sybiha afirmou que moradores de Kiev ouviram o que chamou de verdadeiro som do “humanismo russo”.

Segundo ele, os ataques atingiram a capital com dezenas de mísseis balísticos que miraram infraestrutura energética, instalações médicas, centros comerciais e áreas residenciais. Ademais, os ataques também teriam atingido outras cidades ucranianas.

Em publicação na rede X, Sybiha afirmou que “apaziguamento, servilismo e bajulação” não impedirão a guerra promovida pela Rússia. Ele fez a declaração após os ataques, em meio às discussões diplomáticas entre Washington e Moscou.

Do lado russo, o Ministério da Defesa informou que realizou durante a noite um “ataque maciço” contra instalações portuárias na região de Odessa, no sul da Ucrânia.

Segundo Moscou, os alvos incluíam infraestrutura portuária e, além disso, embarcações usadas pelas Forças Armadas ucranianas.

Moscou afirma ter derrubado 808 drones

Por outro lado, a Rússia também informou que suas defesas aéreas derrubaram 808 drones ucranianos durante a madrugada.

Segundo o Ministério da Defesa russo, as forças russas destruíram os equipamentos em diferentes regiões do país e na Crimeia, território que Moscou anexou em 2014.

Os ataques com drones ocorreram após o encontro entre Putin e Witkoff, enviado especial do governo Trump, realizado ontem (21) em São Petersburgo.

Negociações seguem sem acordo

Apesar da retomada das conversas entre Washington, Moscou e Kiev, ainda não há sinais concretos de um acordo para encerrar o conflito.

Segundo Volodymyr Zelensky, qualquer negociação precisa contar com a participação direta da Ucrânia.

“Sempre disse que estamos abertos a negociar em qualquer formato, sobre qualquer tema. Mas não falem sobre nós sem a nossa presença”, afirmou o presidente ucraniano.

Por fim, até o momento, ninguém indicou que os governos tenham acertado uma reunião conjunta entre Donald Trump, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky.

 Fonte: g1