Após tarifaço americano, Brasil aposta na Índia para diversificar mercados e fortalecer relações comerciais bilaterais
De olho na diversificação de mercados, depois do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos, o governo do Brasil intensificou negociações com a Índia para atrair novas parcerias empresariais e para ampliar o limitado acordo comercial do país asiático com o Mercosul.
Márcio Elias participou da reunião de ministros de Comércio do Brics. Mas também aproveitou a viagem para uma série de contatos com autoridades locais e com o setor produtivo.
Paralelamente, no dia 28 de agosto, uma comitiva do governo indiano chegará a Brasília para negociar o aprofundamento do acordo de preferências tarifárias Mercosul-Índia.
O acordo atual, firmado em 2004, cobre apenas 450 categorias de produtos com reduções nas alíquotas de importação. A ideia, portanto, é expandir o universo de setores abrangidos.
“É uma parceria de ganha-ganha. A Índia tem se mostrado uma das economias mais dinâmicas da Ásia e o crescimento das nossas exportações para o mercado indiano já se apresenta como uma realidade”, disse Márcio Elias à CNN.
No primeiro semestre, os embarques de produtos brasileiros ao país asiático aumentaram 84% na comparação com igual período do ano passado e atingiram US$ 5 bilhões.
Os maiores destaques na pauta exportadora são petróleo bruto, óleo de soja, cobre, açúcar, algodão e minério de ferro.
Meta de comércio Brasil-Índia
Em 2025, o vice-presidente Geraldo Alckmin — então à frente do MDIC — estipulou como meta alcançar uma corrente de comércio Brasil-Índia de US$ 20 bilhões até 2030.
Em 2023, primeiro ano do governo Lula, o intercâmbio foi de pouco menos de US$ 12 bilhões.
Por outro lado, a Índia também sofreu uma tarifa de 12,5% dos Estados Unidos. Que, no caso do Brasil, somou-se à alíquota de 25% no âmbito da Seção 301 — pela suposta falta de combate a “trabalhos forçados”.
É alvo, ainda, de uma investigação do USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca) sobre “sobrecapacidade industrial”.
Trata-se da acusação, pelo governo de Donald Trump, de que uma série de países e blocos econômicos — entre os quais União Europeia, China, Japão, Coreia do Sul, Austrália — têm despejado seus excessos de produção industrial no mercado americano e prejudicado os fabricantes nos Estados Unidos. Uma punição, de percentual ainda indefinido, pode ocorrer nos próximos meses.



