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Presidente da Apex aponta que tarifaço nos EUA prejudica consumidores e empresas locais, reforçando a necessidade de manter o diálogo comercial. Foto: Reprodução/Magnific

Apex prepara ofensiva de R$ 30 milhões para driblar tarifaço e manter mercado nos EUA

Diante de taxas de até 37,5% aplicadas pelos EUA, Apex aposta em estratégia dupla para proteger o empresariado brasileiro do tarifaço

A estratégia da Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para lidar com o tarifaço americano será manter os EUA no radar enquanto amplia a busca por outros mercados. O presidente da agência, Laudemir Müller, afirmou que serão destinados R$ 30 milhões nos próximos 12 meses para ações diretamente no mercado americano, mesmo diante das tarifas impostas sobre produtos brasileiros.

O investimento terá duas frentes: a promoção comercial de produtos que continuam isentos das tarifas e o trabalho de articulação para tentar ampliar a lista de isenções.

“Nós vamos continuar trabalhando com o nosso escritório em Washington, junto com o setor privado brasileiro e o setor privado americano, para aumentar as isenções, para que mais produtos não tenham essa tarifa. E os produtos que estão isentos, nós vamos trabalhar para promover no mercado americano. “O mercado americano é muito importante para o Brasil, é muito importante para as empresas brasileiras”, disse Müller.

Em julho, os EUA decidiram aplicar duas taxas contra produtos do Brasil que, somadas, podem chegar a 37,5%. Uma das tarifas é de 25% e foi instituída sob a alegação de supostas práticas comerciais desleais do Brasil contra os EUA. A outra, de 12,5%, foi criada pela suposta falha do Brasil em combater o trabalho forçado.

Recursos também vão apoiar empresas já presentes nos EUA

Parte dos recursos também apoiará empresas brasileiras que já mantêm operações ou exportações consolidadas no país. A intenção é ajudar essas companhias a preservar seus negócios em um momento de aumento dos custos e perda de competitividade provocados pelas tarifas.

Müller entende que as novas tarifas são prejudiciais para todos. Entre os produtos que mais podem sofrer com essas taxas, de acordo com o presidente da Apex, estão calçados, madeira, rochas ornamentais e frutas.

“As empresas americanas também não querem essa tarifa, porque são elas que pagam. O comprador americano não quer pagar 40% a mais de um dia para o outro na mesma fruta, na mesma rocha, na mesma madeira. Não interessa para ninguém do mundo empresarial, é ruim para todo mundo”, pontuou.

“Inclusive, é ruim para o consumidor americano, que sofre com a inflação. Então, o desejo de todo mundo é que não tenha essa instabilidade, que não tenha essa fragmentação e que a gente não tenha essas tarifas”, acrescentou o presidente da Apex.

R$ 210 milhões para buscar outros mercados

O investimento nos Estados Unidos ocorre ao mesmo tempo em que a Apex conduz um plano emergencial de R$ 210 milhões para diversificar os destinos das exportações brasileiras.

A estratégia busca reduzir a dependência de mercados afetados pelas novas tarifas e abrir espaço para produtos nacionais em outros países. Para Müller, entretanto, diversificar não significa abandonar os Estados Unidos.

“Nós estamos, sim, focados na diversificação para socorrer as empresas, para encontrar compradores de mercados alternativos, mas nós não vamos abandonar o mercado americano. A gente segue trabalhando nos Estados Unidos para aumentar a isenção e apoiar as empresas que estão lá. Inclusive para aumentar a nossa participação, porque o mercado americano é importante e ninguém do mundo empresarial quer essas tarifas”, reforçou Müller.

Para diversificar o mercado, a Apex deve usar uma carteira com ao menos 2.000 compradores internacionais para realizar uma busca ativa e identificar compradores no exterior que precisam exatamente do que o vendedor brasileiro tem a oferecer. Promovendo reuniões diretas entre eles.

Além disso, a agência deve aproveitar feiras internacionais para apresentar produtos do Brasil diretamente a potenciais compradores.

De acordo com Müller, a Apex deve concentrar os esforços em 36 mercados. Entre os países listados por ele, estão Índia, China, Singapura, Malásia, Indonésia, Tailândia, Vietnã, Turquia, Nigéria, Etiópia, África do Sul, Canadá e México.

Fonte: r7