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Alimentação básica em Campo Grande: mais de 4 dias de trabalho, segundo levantamento do Dieese, divulgado (9) Foto: Kleber Clajus

Cesta básica exige mais de 105 horas de trabalho em Campo Grande, aponta levantamento

Alimentação básica em Campo Grande: mais de 4 dias de trabalho

Mesmo com leve queda no preço dos alimentos em Campo Grande, o custo da alimentação básica ainda exige mais de 4 dias inteiros de trabalho para garantir os itens essenciais, segundo levantamento divulgado (9).

De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a cesta básica na Capital custou R$ 780,29 em fevereiro de 2026. O valor representa uma redução de 0,40% em relação a janeiro, quando o conjunto de alimentos foi comercializado por R$ 783,41.

Apesar da leve retração, o impacto no orçamento das famílias segue elevado. Além disso, continua pressionando o poder de compra. Considerando o salário mínimo vigente de R$ 1.621, o trabalhador precisou trabalhar 105 horas e 54 minutos. Assim, isso equivale a 4,4 dias de jornada.

Por fim, foi necessário esse tempo para adquirir os produtos básicos. No mês anterior, eram necessárias 106 horas e 19 minutos. Dessa forma, o indicador mostra estabilidade entre os períodos analisados.

Na comparação com fevereiro de 2025, houve melhora mais perceptível: naquele período, o tempo necessário chegava a 112 horas e 10 minutos de trabalho, quando o salário mínimo era de R$ 1.518.

Comprometimento da renda ainda é alto

Mesmo com a pequena queda nos preços, a cesta básica comprometeu, em média, 52,04% da renda líquida do trabalhador, já descontada a contribuição previdenciária. Em janeiro, o percentual foi de 52,25%, enquanto em fevereiro do ano passado atingia 55,12%.

No acumulado de 12 meses, entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o custo da cesta registrou alta de 0,82%. Já no ano de 2026, a variação foi de 0,57%.

O que ficou mais barato e mais caro

Entre os 13 produtos que compõem a cesta básica, nove apresentaram redução de preços entre janeiro e fevereiro. As principais quedas foram registradas em:

  • tomate (-9,23%);
  • batata (-5,12%);
  • óleo de soja (-3,65%);
  • leite integral (-3,40%);
  • banana (-3,10%);
  • açúcar cristal (-1,74%);
  • farinha de trigo (-1,35%);
  • manteiga (-1,31%);
  • café em pó (-0,02%).

Por outro lado, quatro itens tiveram aumento, com destaque para o feijão carioca, que subiu 22,05%. Também ficaram mais caros:

  • arroz agulhinha (3,48%);
  • pão francês (0,89%);
  • carne bovina de primeira (0,63%).

No acumulado dos últimos 12 meses, o café em pó lidera as altas, com avanço de 23,13%, seguido pelo feijão carioca (16,96%) e pão francês (6,30%).

Comparação nacional

No cenário brasileiro, o custo da cesta básica subiu em 14 capitais. Além disso, caiu em outras 13 entre janeiro e fevereiro deste ano.

As maiores altas foram registradas em Natal, João Pessoa e Recife. Assim, essas cidades lideram o aumento nos preços.

São Paulo segue com a cesta mais cara do país. Atualmente, atinge R$ 852,87. Em seguida, Rio de Janeiro registra R$ 826,98. Florianópolis tem R$ 797,53. Por fim, Cuiabá aponta R$ 793,77.

Com base no custo da capital paulista, o Dieese fez cálculos. Além disso, considerou a previsão constitucional sobre o salário mínimo. Essa norma estabelece que ele deve suprir necessidades básicas de uma família de quatro pessoas. Portanto, estima-se R$ 7.164,94 para fevereiro.

Esse valor é 4,42 vezes superior ao salário mínimo atual. Dessa forma, evidencia a distância entre custo de vida e política salarial.

Tendência e impacto

Os dados indicam que, embora haja estabilidade recente nos preços em Campo Grande, o peso da alimentação básica continua elevado no orçamento dos trabalhadores. Em síntese, pequenas oscilações nos alimentos essenciais seguem influenciando diretamente o poder de compra, especialmente entre famílias de menor renda, que destinam a maior parte dos ganhos à alimentação.

Fonte: Dieese