A Alemanha afirmou (24) que vai intensificar o combate ao crime organizado, facilitando a apreensão de dinheiro, veículos de luxo e imóveis pertencentes a suspeitos.
Ao apresentar as medidas voltadas a grupos envolvidos com tráfico de drogas, crimes financeiros e lavagem de dinheiro, Lars Klingbeil, ministro das Finanças, disse:“Queremos atingir os criminosos onde mais dói”.
Foco no patrimônio dos criminosos
“Frequentemente, a perda de um carro de luxo ou de uma mansão afeta mais os criminosos do que uma pena de prisão”, afirmou Klingbeil, que também ocupa o cargo de vice-chanceler. Segundo ele, as reformas devem ajudar a “reforçar a confiança dos cidadãos no nosso sistema de Justiça”.
Inversão do ônus da prova
Pelas novas regras, as autoridades poderão inverter o ônus da prova, exigindo, dessa forma, que os suspeitos demonstrem que seus bens foram adquiridos de forma legal. Medida esta que o ministro classificou como uma “virada de jogo”.
Pressão política e avanço da AfD
Nos últimos anos, cresceu na Alemanha a preocupação com redes criminosas familiares, frequentemente chamadas de “clãs”. Eles teriam ampliado sua influência, favorecidas por regras rígidas de proteção de dados e por falhas de integração entre forças policiais regionais.
O partido de oposição de extrema direita Alternative for Germany (AfD), que lidera algumas pesquisas de intenção de voto, acusa governos anteriores de serem brandos com esses grupos e associa o crescimento dos “clãs” a políticas migratórias consideradas liberais.
Integração entre forças de segurança
Klingbeil afirmou que o Ministério das Finanças está “declarando guerra ao crime organizado”, em coordenação com os ministérios da Justiça e do Interior. Ele prometeu, contudo, ampliar a cooperação entre as polícias e reforçar os recursos destinados ao combate à lavagem de dinheiro.
“Estamos rompendo barreiras entre departamentos e focando no que realmente importa: fortalecer a segurança em nosso país”, disse. Segundo ele, a polícia federal e as autoridades alfandegárias poderão compartilhar dados e “analisá-los com o uso de inteligência artificial”.
Banco de dados central inédito
Ao lado de Klingbeil, o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, anunciou a criação de um banco de dados centralizado, que reunirá, pela primeira vez na história do país, informações de diferentes órgãos estaduais e federais de combate ao crime.
“Isso era algo antes impensável no debate político, mas é absolutamente essencial”, afirmou. “É um passo gigantesco adiante.”
Fonte: times brasil



