Em meio à volatilidade do diesel, a Agrishow 2026 busca consolidar alternativas sustentáveis com biocombustíveis e novas linhas de crédito para modernizar o agro
Os biocombustíveis e a digitalização devem marcar a Agrishow 2026, que será realizada de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto – SP. Durante a coletiva de lançamento, lideranças do setor destacaram a crescente busca por alternativas ao diesel em meio à volatilidade do petróleo e à elevação dos custos de produção.
O presidente da feira, João Carlos Marchesan, avaliou que o cenário internacional mais instável tem impacto conjuntural e não altera a trajetória do agronegócio brasileiro. Segundo ele, a dependência do diesel importado amplia a exposição do produtor, ao mesmo tempo em que acelera a adoção de fontes renováveis. “O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. Já temos agricultores usando biodiesel quase puro em tratores e caminhões. A feira busca consolidar motores que independam do petróleo”, afirmou.
Ademais, outro fator que segue no radar é o custo do crédito. Apesar do início do movimento de queda, a taxa Selic ainda permanece em patamar elevado, restringindo investimentos. Marchesan afirmou que o setor mantém diálogo com o governo federal para a construção do novo Plano Safra, com foco em linhas voltadas à modernização produtiva.
Diferentemente de edições anteriores, a Agrishow não divulgou estimativa de intenção de negócios. Em 2025, o volume projetado girou em torno de R$ 15 bilhões. Ainda assim, o dirigente demonstrou confiança no desempenho da feira. “A expectativa é positiva. Tivemos safras com boa produtividade, o milho foi plantado, o algodão mostra recuperação e as chuvas foram favoráveis. O que falta é crédito com custo compatível, porque os demais fatores seguem positivos”, afirmou, acrescentando que, ao final do evento, já será possível ter uma sinalização do volume de negócios gerados.
A coletiva também foi marcada por um discurso de confiança
O presidente da Sociedade Rural Brasileira, Sérgio Bortolozzo, afirmou que o momento exige reação diante das dificuldades, mas ressaltou que o setor já enfrentou cenários mais complexos. “Não acredito em crise. Já vivemos momentos piores. É hora de reagir e seguir em frente”, disse. Para ele, a atividade agrícola carrega uma lógica de longo prazo, o que sustenta a continuidade dos investimentos mesmo em períodos adversos.
Bortolozzo também chamou atenção para a elevação dos custos logísticos, sobretudo do frete, pressionado pelo aumento da produção e pela demanda por transporte. Ele alertou ainda para possíveis mudanças nas regras do setor que podem encarecer operações essenciais, como o retorno de cargas com fertilizantes.
Agrishow 2026 reforça biocombustíveis, tecnologia e confiança no agro
O presidente de honra da feira, Maurílio Biagi, destacou o papel estratégico dos biocombustíveis no atual contexto. “O que é importante é o papel do biocombustível. O etanol avança intensamente, especialmente o produzido a partir do milho, e as usinas flex ampliam esse movimento. Esse é um capítulo importante que vale a pena explorar”, afirmou. Segundo ele, momentos de instabilidade no mercado de energia costumam abrir espaço para soluções domésticas, o que recoloca o etanol em posição de destaque na matriz brasileira.
Além disso, Biagi também ressaltou que o setor sucroenergético volta a ganhar visibilidade em um cenário que remete a períodos anteriores de crise do petróleo, com novas oportunidades surgindo a partir da adoção de tecnologias, incluindo máquinas agrícolas movidas a combustíveis renováveis.
Também presente à coletiva, o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão, classificou o momento como desafiador para a indústria, mas destacou perspectivas estruturais positivas. Segundo ele, o Brasil deverá ampliar entre 12 milhões e 15 milhões de hectares de área semeada nos próximos anos para sustentar o crescimento das exportações de alimentos, o que tende a manter a demanda por máquinas no médio e longo prazo.
Além da transição energética, a feira deve ampliar o espaço para tecnologias digitais no campo
Soluções baseadas em inteligência artificial, drones e análise de dados ganham importância na busca por maior eficiência operacional e melhor gestão de recursos, atendendo também às exigências de rastreabilidade de mercados internacionais.
Nesse contexto, o avanço do uso de insumos e o ganho de produtividade colocam o Brasil em posição de destaque global, reforçando a necessidade de integração entre tecnologia, sustentabilidade e competitividade.
Por outro lado, a organização também reforça a agenda ESG, com iniciativas voltadas à inclusão no mercado de trabalho e à gestão responsável de recursos. Entre as ações estão programas de inserção profissional e parcerias locais, além de práticas voltadas à redução de resíduos e ao melhor aproveitamento de materiais durante o evento.
Serviço:
Agrishow 2026
Data de 27 de abril a 1º de maio de 2026
Local Rodovia Antônio Duarte Nogueira km 321 Ribeirão Preto SP
Horário das 8h às 18h
Ingressos no segundo lote a R$ 85 por dia com meia entrada
Na bilheteria durante o evento R$ 150 por dia
Estacionamento a partir de R$ 75 por dia e opções de área VIP
https://www.agrishow.com.br/visitar/compra-de-ingresso/
Fonte: FAESP



