Quando falamos de cães e gatos, é possível dizer que mudanças súbitas também causam estresse. Caso seja necessário alterar a rotina, faça isso aos poucos, em vez de maneira brusca.
O estresse pode vir de causas mais simples a situações mais complexas. Alguns gatos, por exemplo, podem desenvolver obstrução urinária simplesmente porque o tutor trocou o pote de água de lugar, mudou a marca da ração, removeu permanentemente algum objeto/brinquedo que trazia conforto ou segurança.
Isso, ainda, pode acontecer se você introduzir novos animais, mudar de casa, se novas pessoas passarem a morar com você, se você (o mais apegado ao bicho) se mudar de casa ou passar tempo demais fora.
Seja qual for a mudança, ela deve ser gradual. Tanto para que o pet possa se acostumar quanto para você entender se ele consegue tolerar tal coisa.
Broncas desproporcionais
Embora cães e gatos envelheçam — e alguns sejam superinteligentes —, seu cérebro não se comporta da mesma forma que o de uma pessoa adulta a qual entende sobre obrigações. Isso significa que, mesmo que você tenha ‘conversado’ com seu cachorro para ele parar de fazer xixi no pé da geladeira, não quer dizer que surgirá algum efeito.
O mesmo vale para animais que rasgam chinelas de dedo, latem a noite toda, somem com tênis alheios, destroem o papel higiênico do banheiro ou babam em cima do sofá. Por mais que alguns comportamentos sejam irritantes — e você tem, sim, o direito de ficar chateado com isso — gritar com seu animal e puni-lo fisicamente não vai resolver o problema.
Isso porque o pet pode perder a confiança que tem em você, desenvolver um medo constante de ser agredido novamente, e ficar extremamente recluso, triste ou irritado. Sintomas como esses podem desencadear problemas urinários, depressão, e muitas outras condições séries de saúde.
Lembre-se: embora seu bichinho já tenha alcançado a ‘idade adulta’, o cérebro dele funciona mais ou menos como o de um bebê humano. Você bateria num bebê só porque ele derrubou comida no chão?
Interações forçadas
No mundo, há tanto pessoas muito sociáveis quanto aquelas que odeiam abraços. Às vezes, até gostamos de um toque humano e da interação calorosa com outras pessoas, mas tudo tem limite. Sendo assim, após esse limite ser atingido, desejamos que os demais o respeitam.
Com os animais não é diferente. Os gatos, inclusive, têm um comportamento curioso: esfregam-se nas suas pernas, miam, imploram por atenção; mas, depois de algum carinho atrás da orelha ou de tapinhas leves no bumbum, eles te mordem. Já passou por isso? É normal. Isso funciona como uma forma de regulação: o felino diz a você que teve o que queria e agora você deve parar; portanto, qualquer contato além desse limite já é um ato forçado.
Tanto gatos quanto cães têm seus limites bem definidos para receber carinho ou brincar. Se você, como tutor deles, não respeita isso e permanece a superestimulá-los, isso pode desencadear mordidas, arranhões, latidos e todo ou qualquer sinal que significa PARE!
Dito isso, pegá-los no colo, puxá-los, forçá-los a brincar ou esfregá-los após os bichos terem deixado claro que estão ‘de saco cheio’, não é uma boa ideia.
Solidão extrema – Mais uma das coisas que estressam cães e gatos
Ninguém gosta de ficar sozinho. Quer dizer, quase ninguém. Os animais, contudo, tem uma tolerância muito menor à solidão que os humanos. Algumas pessoas ficam dias trancadas dentro de casa, sem qualquer interação, e, às vezes, podem viver muito bem assim — embora seja algo muito variável.
Cães e gatos, não. Se você adotou um bichinho, precisa estar presente em casa e dar atenção. O ideal é que, se você fica o tempo inteiro fora de casa e mais ninguém está lá, não é adequado ter um pet, pois deixá-lo sozinho o dia todo, todos os dias, vai deprimi-lo. Como dito, eles tem uma tolerância muito menor à solidão, especialmente quando já estão emocionalmente ligados a um tutor, e ficar sozinhos com frequência vai maltratá-los lentamente.
O ideal seria ter uma rotina adequada para que você possa comparecer a seus compromissos. Mas também ficar em casa em uma quantidade significativa de tempo. Algo que também ajuda é se outros humanos estiverem em casa, pois, mesmo que não sejam os tutores, ainda representam alguma companhia.
O que acontece se cães e gatos ficarem muitos estressados?
Quando o estresse deixa de ser a exceção e se torna a regra, os animais vivem com altos níveis de cortisol diariamente. Esse hormônio possui efeito imunossupressor, isto é, diminui a eficiência do sistema imune; o que facilita o desenvolvimento de:
- Infecções;
- Dificuldade de cicatrização em feridas;
- Reativação de doenças anteriormente controladas;
- Inflamações no trato urinário;
- Elevação da pressão arterial;
- Desgaste dos músculos cardíacos;
- Problemas intestinais;
- Vômitos;
- Diarreias, e mais.
Fonte: olhar digital