No momento, você está visualizando Todos os livros e filmes do mundo são apenas 6 histórias básicas
Descubra por que os livros e filmes do mundo seguem apenas seis histórias básicas, o que faz com que eles sempre nos pareçam familiares. Foto: Reprodução/Paramount

Todos os livros e filmes do mundo são apenas 6 histórias básicas

Mesmo em um mundo repleto de livros e filmes diferentes, as histórias seguem padrões emocionais universais que se repetem há séculos

A ciência explica por que a maioria dos livros, filmes, histórias e romances do mundo nos parece familiar, entenda: um amplo estudo computacional com mais de 1700 obras de ficção em inglês descobriu que quase todas as narrativas se enquadram em apenas seis arcos emocionais fundamentais.

A investigação de 2016, conduzida pelo Laboratório de Narrativa Computacional da Universidade de Vermont, sugere que, apesar da diversidade da literatura, os ritmos emocionais subjacentes às narrativas são surpreendentemente consistentes.

Para desvendar estes padrões, os investigadores analisaram 1737 livros do Project Gutenberg, uma biblioteca digital de domínio público. Recorrendo à análise de sentimentos, dividiram cada texto em segmentos de 10 000 palavras e mediram o tom emocional de cada secção com base na linguagem. Palavras como “pobreza”, “morte” e “castigo” diminuíram a pontuação emocional de uma história, enquanto termos como “amor”, “paz” e “amigo” a elevaram.

Ao mapear as oscilações de sentimento em milhares de histórias, a equipa identificou seis trajetórias emocionais arquetípicas. Estes arcos narrativos, segundo eles, formam os “blocos de construção de narrativas complexas” e surgem repetidamente em obras de ficção clássicas e modernas. Os seis arcos principais são:

  • Da pobreza à riqueza: uma ascensão emocional constante, como se vê em Alice no País das Maravilhas.
  • Da riqueza à pobreza (Tragédia): uma trajetória descendente contínua, como Romeu e Julieta.
  • O homem no buraco: uma queda seguida de uma ascensão.
  • Ícaro: uma ascensão seguida de uma queda.
  • Cinderela: um padrão de ascensão-queda-ascensão.
  • Édipo: uma estrutura de queda-ascensão-queda.

Curiosamente, o estudo também encontrou uma ligação entre a complexidade emocional e a popularidade

Com base nos dados dos downloads do Project Gutenberg, as histórias que utilizam arcos narrativos mais intrincados, especialmente os padrões de Cinderela e Édipo, tendem a atrair mais leitores. Livros que combinam múltiplos arcos narrativos, como sequências consecutivas de “Homem no Buraco” ou uma curva de Cinderela que termina em tragédia, também se destacam.

Os investigadores realçam que os arcos emocionais não são o mesmo que enredos. O seu modelo centra-se exclusivamente no sentimento expresso na linguagem, e não em personagens, eventos ou temas. “O arco emocional de uma história não nos dá informações diretas sobre o enredo”, observam os autores, mas revela os padrões presentes em toda a narrativa.

Apesar de a pesquisa se ter baseado em obras em inglês, o padrão nota-se em histórias produzidas em várias outras línguas. Segundo a BBC, o clássico Modame Bovary, de Gustave Flaubert, enquadra-se no padrão da riqueza à pobreza. Já o conto do Patinho Feio, de Hans Christian Andersen, é bastante mais complexo e com altos e baixos. Misturando dois arcos do homem num buraco dentro de uma narrativa geral da pobreza à riqueza.

Em conclusão, para quem tem curiosidade sobre o porquê de as histórias parecerem tão familiares, a resposta pode estar nestes modelos emocionais ancestrais que continuam a moldar as histórias que contamos.

Fonte: zap