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Entenda por que o TikTok está no centro da disputa geopolítica entre Washington e Pequim. Foto: Reprodução/Chris DELMAS/AFP

TikTok no centro da disputa geopolítica entre Washington e Pequim

Com venda bilionária e nova estrutura societária, o TikTok se torna símbolo da tensão geopolítica entre Washington e Pequim, redefinindo o controle sobre dados, algoritmo e influência digital nos Estados Unidos

Atualmente, o TikTok está no centro de uma intensa disputa geopolítica entre Washington e Pequim. Desde o primeiro mandato presidencial de Donald Trump, de 2017 a 2021, Washington acusa o TikTok de coletar dados de cidadãos americanos para o Partido Comunista Chinês. A ByteDance, dona do aplicativo, sempre negou, mas não teve alívio. Em 2024, o Congresso aprovou uma lei exigindo que a empresa vendesse a operação americana ou fosse banida.

A Suprema Corte endossou a constitucionalidade da medida e, em janeiro de 2025, o app chegou a sair do ar por catorze horas. Até Trump decidir adiar o banimento enquanto negociava um acordo com os chineses. Usuários e, principalmente, vendedores do TikTok Shop passaram anos aflitos com a possibilidade de perder o sustento.

Criação da TikTok USDS Joint Venture

Em 22 de janeiro de 2026, as partes envolvidas finalmente resolveram o impasse ao criar a TikTok USDS Joint Venture LLC. Pela nova estrutura, a ByteDance retém apenas 19,9% da operação americana; os outros 80,1% ficam com investidores não chineses — liderados pelas empresas Oracle, Silver Lake e o fundo MGX, dos Emirados Árabes. Com 15% cada uma. O valor da transação foi estimado em 14 bilhões de dólares. Após a venda, Shou Zi Chew, presidente global do TikTok, comemorou a possibilidade de continuar contando com a “criatividade” e a “paixão” dos usuários americanos.

O acordo representa uma vitória para Larry Ellison, fundador da Oracle e um dos principais aliados de Trump, que agora ganha influência sobre uma das redes sociais mais populares do mundo — a Oracle será a parceira de segurança responsável por auditar o algoritmo e garantir que a ByteDance não tenha acesso aos dados dos 200 milhões de usuários americanos.

Críticos apontam que a concentração de poder nas mãos de um bilionário próximo ao governo levanta questões sobre moderação de conteúdo. Se antes havia receio de influência chinesa, agora há quem tema viés político americano. Para os tiktokers, não será necessário nem sequer baixar um novo aplicativo. Mas o algoritmo, o ingrediente secreto do sucesso do TikTok, será “retreinado” usando apenas dados americanos.

Fonte: veja