Mapa abre 500 mercados para agro brasileiro
A abertura de mais de 500 novos mercados para o agro brasileiro ao longo dos últimos três anos tornou-se o principal vetor da atuação externa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e passou a balizar uma agenda que, em 2025, também avançou sobre crédito rural, mecanização no campo, recuperação de áreas degradadas e reforço institucional de órgãos estratégicos do setor.
O movimento ocorre em um contexto de maior presença do Brasil em fóruns multilaterais, negociações sanitárias mais intensas e ampliação do papel da diplomacia agrícola, enquanto o governo amplia o volume de recursos públicos destinados ao setor produtivo.
Agenda internacional
Ao longo de 2025, o Mapa manteve uma agenda internacional concentrada na ampliação do acesso a mercados para o agro, atualização de protocolos sanitários e consolidação do Brasil como fornecedor regular de alimentos. Missões oficiais passaram por países da Ásia, Europa, África, América do Norte e América do Sul, incluindo participações em feiras, reuniões bilaterais e negociações técnicas.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, integrou a comitiva presidencial em viagens ao Japão, China, Indonésia e Malásia, além de acompanhar o vice-presidente Geraldo Alckmin em missão ao México. As tratativas resultaram na abertura ou ampliação de mercados para carnes, grãos, frutas, produtos florestais e itens processados.
Em junho, durante visita oficial à França, o Brasil recebeu da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) o certificado de país livre de febre aftosa sem vacinação, passo considerado estratégico para ampliar o acesso a mercados mais exigentes.
No front doméstico, a principal iniciativa lançada em 2025 foi o Programa Nacional de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq), voltado à aquisição e doação de máquinas e equipamentos agrícolas a estados, municípios e entidades parceiras. Segundo dados do ministério, 2.645 máquinas foram entregues ao longo do ano, com foco em pequenos e médios produtores.
Programa Solo Vivo
Outro eixo de atuação foi o Programa Solo Vivo, direcionado à recuperação de áreas degradadas e ao aumento da produtividade da agricultura familiar. A iniciativa começou em Mato Grosso e envolveu a coleta e análise de mais de 1,6 mil amostras de solo em cerca de 5.860 hectares, beneficiando 685 famílias. Foram aplicadas, conforme recomendação técnica, mais de 16 mil toneladas de calcário e 2,5 mil toneladas de fosfato.
Ainda na área ambiental, o Programa Caminho Verde Brasil avançou na captação de recursos para sua execução. A primeira fase prevê R$ 30,2 bilhões obtidos por meio do segundo leilão do Eco Invest Brasil, com estimativa de recuperação entre 1,4 milhão e 3 milhões de hectares. A meta do governo é restaurar até 40 milhões de hectares de terras de baixa produtividade ao longo da próxima década.
Plano Safra
Pelo terceiro ano consecutivo, o Plano Safra alcançou volume recorde de recursos. Para a safra 2025/2026, foram anunciados R$ 516 bilhões em crédito rural, dos quais R$ 189 bilhões correspondem a recursos controlados e R$ 327 bilhões a recursos livres. O montante representa um aumento de R$ 8 bilhões em relação ao ciclo anterior.
O Plano Safra segue como principal instrumento de política agrícola do País. Contudo, o aumento do volume de crédito vem acompanhado de debates. Em primeiro lugar, sobre equalização de juros. Além disso, custo fiscal. Por fim, efetividade do acesso aos pequenos produtores.
Na área institucional, o Mapa promoveu a reestruturação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em síntese, com modernização de equipamentos. Do mesmo modo, ampliação da rede de estações automáticas e atualização de sistemas. No Rio Grande do Sul, instalaram 56 das 98 novas estações previstas. Por conseguinte, preparam projeto com a Eletrobras. Esse prevê instalação de outras 220 unidades a partir de 2026.
O Ministério da Agricultura liderou a participação do Brasil na COP30, realizada em novembro, em Belém (PA). Por sua vez, apresentou políticas voltadas à agropecuária de baixo carbono. Ainda mais, à recuperação de áreas degradadas, uso de bioinsumos e rastreabilidade.
BRICS
O ministro participou das agendas do BRICS, em Brasília e no Rio de Janeiro. Nesse sentido, com foco em cooperação científica e inovação agrícola. Por fim, do Encontro Brasil–África, voltado ao intercâmbio de tecnologias adaptadas aos países africanos.
Em novembro, Fávaro assumiu a presidência da Junta Interamericana de Agricultura (JIA). Em outras palavras, órgão máximo do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) que reuniu representantes de 34 países durante a conferência.
No âmbito interno, o ministério avançou na digitalização de processos. Ao mesmo tempo, no reforço do quadro técnico. Por último, com servidores do Concurso Público Nacional Unificado. Principalmente, em defesa agropecuária e meteorologia.
O conjunto de ações consolida um período de forte atuação do Mapa em múltiplas frentes, combinando expansão internacional, aumento do gasto público e reestruturação institucional — um movimento que segue no centro do debate sobre os rumos da política agrícola brasileira.
Fonte: Pensar Agro





