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O dólar avançou 0,11% nesta segunda-feira (12), impulsionado pela tensão entre o Fed e o governo dos EUA, enquanto o Ibovespa recuou 0,37%, aos 162.762 pontos. Foto: agência brasil

Dólar avança em meio a tensão entre Fed e governo dos EUA; Ibovespa cai

Movimento do dólar reflete cautela dos investidores diante do embate entre o Fed e o governo dos EUA, que aumenta a incerteza sobre a política monetária e pressiona os mercados globais

O dólar opera em alta nesta segunda-feira (12), em meio a tensão entre Fed e governo dos EUA. Com avanço de 0,11% por volta das 11h45, cotado a R$ 5,3710. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,37%, aos 162.762 pontos.

Os mercados iniciam a semana sob tensão, com ruídos entre a Casa Branca e o banco central dos Estados Unidos, elevando a cautela dos investidores. A agenda desta segunda-feira concentra falas de dirigentes do Fed e novos dados no Brasil.

Nos EUA, o presidente Donald Trump ameaça indiciar Jerome Powell, dirigente do BC americano, por declarações ao Congresso sobre um projeto de reforma de um edifício, o que o dirigente classificou como parte de uma “pressão contínua do governo” para interferir na política monetária.

Dólar avança em meio a tensão entre Fed e governo dos EUA; Ibovespa cai

Na véspera, Powell afirmou que a investigação representa mais uma tentativa do presidente de influenciar decisões do Fed e disse que não cederá à pressão (entenda mais abaixo). Com o quadro em tensão, os discursos de membros do Fed ganham destaque hoje, em meio à atenção ao rumo da política monetária.

  • Às 14h30, Raphael Bostic, presidente do Fed de Atlanta, abre a série de falas; às 14h45, Thomas Barkin, do Fed de Richmond, discursa; na sequência, John Williams, do Fed de Nova York, também se pronuncia.
  • No Brasil, a semana começou com a divulgação do Boletim Focus. A projeção para a inflação de 2026 foi reduzida de 4,06% para 4,05%. Enquanto as estimativas para 2027, 2028 e 2029 permanecem estáveis em 3,80%, 3,50% e 3,50%, respectivamente.
  •  Também na agenda doméstica, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, se reúne às 14h com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e diretores da autoridade monetária para tratar do impasse envolvendo o Banco Master.

Trump x Powell – Dólar avança em meio a tensão entre Fed e governo dos EUA

O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou a pressão sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ao mencionar a possibilidade de indiciar criminalmente o presidente da instituição, Jerome Powell.

A ameaça está relacionada a declarações feitas por Powell ao Congresso sobre os custos de um projeto de reforma de um prédio do Fed.
Segundo o dirigente, o episódio está sendo usado como pretexto para ampliar a influência do governo sobre a política monetária. Em especial para forçar cortes mais agressivos nos juros.

As movimentações elevaram as preocupações do mercado quanto à independência do banco central. Nesta segunda-feira, o economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, afirmou que a ameaça de uma acusação criminal contra Powell reforça esses receios. Embora espere que o Fed continue tomando decisões com base em dados econômicos.

“Obviamente, há mais preocupações de que a independência do Fed esteja em xeque, com as últimas notícias sobre a investigação criminal contra o presidente Powell realmente reforçando essas preocupações”, afirmou Hatzius.

As declarações foram feitas durante a conferência anual de estratégia global do banco, em Londres. Ainda assim, segundo ele, Powell deve seguir conduzindo a política monetária com base nas condições econômicas, sem se deixar influenciar por pressões políticas.

 Hatzius, que integra o comitê de administração do Goldman Sachs, foi o primeiro executivo sênior de Wall Street a se manifestar publicamente desde que surgiram as informações sobre a possível investigação contra o chefe do Fed.

“Não tenho dúvidas de que ele, no mandato remanescente como presidente, tomará decisões baseadas nos dados, seja para cortar juros ou para manter a taxa, conforme os indicadores apontarem”, disse.

A disputa ganhou um novo capítulo nesta semana, quando o governo passou a citar formalmente a possibilidade de uma investigação criminal

A alegação é de que Powell teria prestado informações incorretas ao Congresso sobre os custos da reforma da sede do Fed. Que teriam superado o orçamento inicialmente previsto.

Powell nega as acusações e sustenta que o caso está sendo instrumentalizado politicamente.

Em comunicado divulgado (11), por meio do banco central americano, ele informou que o Fed recebeu uma intimação do Departamento de Justiça relacionada a seu depoimento ao Congresso em junho do ano passado.

A investigação está sendo conduzida pela Procuradoria dos EUA, no Distrito de Colúmbia, e busca apurar se houve inconsistências nas informações apresentadas sobre o alcance das obras. A apuração foi autorizada pela procuradora Jeanine Pirro, nomeada para o cargo pelo próprio Trump.

No mesmo comunicado, Powell afirmou que a iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla para pressionar o Fed a promover cortes mais intensos na taxa de juros. Desse modo, mesmo com a inflação ainda acima da meta oficial de 2%.

Segundo ele, a medida é “sem precedentes” e deve ser entendida dentro de um contexto de pressão contínua do governo sobre a autoridade monetária.

“Essa ameaça não está relacionada ao meu depoimento nem às obras”, afirmou. Para Powell, o risco de um processo criminal decorre do fato de o Fed definir a taxa de juros “com base no que considera melhor para o interesse público, e não de acordo com as preferências do presidente”.

Agenda econômica

  • Boletim Focus

Os economistas consultados pelo Banco Central promoveram apenas ajustes marginais em suas projeções na pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira.

Segundo o levantamento — que reúne as previsões de analistas para os principais indicadores do país —, a estimativa para a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, em 2026 recuou 0,01 ponto percentual, passando para 4,05%. Para 2027, a projeção foi mantida em 3,80% ao fim do ano.

A meta oficial de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que permite variações entre 1,5% e 4,5% sem descumprimento formal do objetivo.

No campo da política monetária, os analistas mantiveram a expectativa de que o Banco Central inicie o ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, em março.

A projeção segue indicando uma redução inicial de 0,5 ponto percentual, a partir do patamar atual de 15%.

Também não houve mudanças nas estimativas para o nível da Selic ao fim dos próximos anos: 12,25% em 2026 e 10,50% em 2027.

Para a atividade econômica, as previsões permaneceram estáveis. Contudo, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 1,8% tanto para este ano quanto para o próximo.

Bolsas globais

Os principais índices de Wall Street abriram em baixa nesta segunda-feira depois que o governo Trump renovou seus ataques ao Federal Reserve. Alimentando novas preocupações sobre a independência do banco central dos EUA.

Além disso, o anúncio de um teto de 10% para juros de cartões de crédito pesou sobre ações de bancos e financeiras. Com fortes recuos em empresas como Citigroup, JPMorgan e American Express.

O Dow Jones Industrial Average caía 0,01% na abertura, para 49.499,67 pontos. O S&P 500 tinha queda de 0,32%, para 6.944,12 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuava 0,40%, para 23.576,877 pontos.

Por outro lado, as bolsas europeias operavam em leve queda após recentes recordes. Pressionadas pelo impacto da proposta de limite para juros de cartões nos EUA sobre ações de bancos.

O setor bancário liderava as perdas, com destaque para Barclays, que recuava mais de 3%.

Por volta das 10h (horário de Brasília), o índice STOXX 600 caía 0,2%, enquanto os bancos cediam 0,4%.

Na Ásia, fecharam em alta, com destaque para os mercados chineses, que atingiram os maiores níveis da última década.

O avanço foi impulsionado por ações ligadas à inteligência artificial e ao setor aeroespacial, apoiadas por volume recorde de negociações e perspectivas positivas para 2026.

Em Hong Kong, as ações também subiram, acompanhando o otimismo regional.

No fechamento, os índices ficaram assim: Hang Seng +1,44% (26.608 pontos), Xangai SSEC +1,09% (4.165 pontos), CSI300 +0,65% (4.789 pontos), Kospi +0,84% (4.624 pontos), Taiex +0,92% (30.567 pontos) e Straits Times +0,47% (4.766 pontos). O Nikkei não abriu.

 Fonte: g1